“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem... O mais importante e bonito do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais – ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam, verdade maior. Viver é um descuido prosseguido.” (João Guimarães Rosa)
NOS GROTÕES E BURGOS PODRES
Por Mara Narciso
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Por princípio, as nações evoluídas cuidam da infância e da velhice. O Brasil quer progredir, tanto que é Ordem e Progresso o lema da bandeira brasileira. Inebriados pela visão da festiva classe C, enaltecida pelos meios de comunicação, e bem-vinda ao consumo, os brasileiros em geral fazem de conta que o pior foi vencido. A nova classe C é gente que tem celular, internet, TV de plasma e viaja de avião.
Quando o inesquecível Tancredo Neves referia-se a locais atrasados, de pensamento político retrógrado, os depreciava dizendo tratar-se de grotões e burgos podres. Pois o nosso imenso país, ainda possui tais lugares, classificado assim pelo atraso de sua gente, independente do pensamento político, se é que possam ter esse luxo. Muitos nem imaginam como vivem essas pessoas. Ouvem-se piadas sobre as bolsas dadas a elas pelo Governo, e com deboche se fala em bolsa gás, bolsa táxi e até bolsa picolé. Minha gente – pedindo emprestadas as palavras a Fernando Collor - ainda há um Brasil que mal aparece. Não é um povo escasso, raro e pitoresco, pinçado por Marcelo Canellas, o jornalista da Rede Globo, para fazer reportagens premiadas sobre a Fome e envergonhar o país não. É um mundo verdadeiro, que bate na nossa cara, e como o lixo que bóia nas enchentes, o queremos longe das nossas vistas.
Com a ajuda da Prefeitura de origem, uma mãe consegue uma consulta com especialista na cidade pólo, e traz sua filha. Não sabe dizer o que a menina tem. Pergunta se no papel que trouxe não dizia. É uma mulher sem dentes, de vestimenta pobre, pele escura, cabelos em desalinho, suada e com ar cansado. Chegou a se deitar no sofá da sala de espera, devido ao mal estar dado pelos transtornos da viagem. Tem fala rude, de difícil compreensão. A comunicação é primitiva e dificultosa. É preciso chegar junto, para buscar uma conversa possível. Com um saca-rolhas, vai-se descobrindo o caso. Com três anos a criança, hoje mal completando nove, começou a desenvolver as mamas. A palavra pelo, para denominar pelagem na área genital, era desconhecida da mãe. Mas, enfim, foi possível deduzir que havia um desenvolvimento puberal, e uma menstruação, porém a mãe não sabia quando. Talvez há uns seis meses, mas era apenas uma hipótese. Trouxe a filha porque uma médica disse não ser normal. Será que era? Pelo menos não tinha se repetido.
Examinada, a criança estava bem formada, uma estrangeira dentro de um corpo arredondado de adolescente. Retraída, e muito assustada, possivelmente era a primeira vez que ia a uma cidade maior. Nascida e criada numa zona rural, um tanto afastada de uma pequena cidade sem recursos, a muito custo tinha conseguido chegar com a ajuda do poder público. A menina tinha 26 quilos e media 1,33 m . Era um caso de puberdade precoce, já sem condições de tratamento ideal pelo avançado da situação. O Governo fornece a injeção mensal, para bloquear a puberdade, cujo custo é em torno de R$500,00 por mês, porém até os nove anos de idade. O prazo já estava vencido. Também seria preciso fazer um mínimo de exames para afastar a possibilidade de tumor, embora, pela experiência, deveria ser a puberdade precoce verdadeira, que é o amadurecer antes da época. Os riscos eram todos: infância perdida, possibilidade de abuso sexual e gravidez e finalização do crescimento.
A mãe, com toda a dificuldade de comunicação, falou ter 47 anos, uma dúzia de filhos e não ter renda. Recebe R$125,00 do Governo a título de Bolsa Família. Abaixo da criança presente à consulta, havia outra, de seis anos. O tratamento já estava todo atrasado. Diante do impasse, como ajudar? Como resolver minimamente o problema dessa criança?
Pessoas assim existem mesmo, dentro de um mundo real e injusto. São brasileiros vivendo num estado de penúria inominável, sem acesso a informação ou a mínima condição de sobrevivência, higiene e dignidade. Não é um caso único ou curiosidade capturada no meio do nada. É uma gente com anseios, desejos e sofrimentos. Uma fictícia Bolsa Picolé talvez não vá resolver a situação, mas ainda assim, quem a tiver, que se ofereça para ajudar.
As notícias e comentários publicados por A Província, quando não assinados, têm como fontes: Extra Online, G1, Planeta Bizarro, Page Not Found, Hoje em Dia, agências nacionais e internacionais, pmonline, corpo de bombeiros e os próprios leitores.
Por Dirceu Cardoso Gonçalves ... Por tudo o que se tem dito nos últimos meses, o esquema de Carlinhos Cachoeira é uma insidiosa moléstia que acomete os escaninhos de diferentes instâncias do poder, em todo o território nacional. Extirpá-lo, punir severamente seus operadores e beneficiários e repor ao cofre público aquilo que de lá foi retirado indevidamente é o mínimo que a sociedade deseja. Mas, as primeiras movimentações da CPI que se instala no Congresso deixam muitas interrogações e a sensação de que poderemos ser mais uma vez enganados. Governistas querem blindar uns e acusar outros e oposicionistas pretendem descarregar tudo contra o governo. Errado: o que mais se espera é a apuração transparente e sem protecionismo e, principalmente, o fim da sangria ao erário tanto por esse quanto por outros possíveis esquemas do gênero. Os congressistas começam a CPI analisando os documentos produzidos pela Polícia Federal e hoje na posse do Judiciário. São denúncias graves. Mas que não justificam a montagem de um circense estado de crise. Como seus poderes são limitados, basta que verifiquem com a devida urgência o grau de envolvimento de cada detentor de mandato e se ele ofendeu ao decoro do cargo. Se ofendeu, casse-lhe o mandato, e pronto! Até porque, os crimes cometidos têm de ser julgados e punidos pelo Judiciário. Senador e deputado não podem mandar ninguém para a cadeia. Não venham os senhores deputados e senadores – governistas e oposicionistas – usar a apuração protelatória para esperar passarem as eleições, que ocorrem em outubro, e aí usarem a pirotecnia de uma medida radical (como a cassação do senador Demóstenes Torres, por exemplo) para todos posarem de faxineiros da nação. Para cumprirem suas obrigações, basta que cassem os mandatos de seus pares dolosamente envolvidos. O Executivo, também, nem precisa esperar os resultados da CPI. Os inquéritos da PF e processos do Judiciário dão elementos para afastar todos os funcionários e servidores comprometidos com o esquema, sem prejuízo daquilo que cada um tenha ainda de responder à justiça. E, por fim, o Judiciário, com o justo processo, que cumpra a sua tarefa e recoloque cada coisa em seu lugar, sem prejuízo de, também, administrativamente, punir seus próprios integrantes que estejam comprometidos no esquema criminoso. A população vive uma crônica descrença em relação à classe política e ao governo. É o resultado de escândalos e mais escândalos varridos para baixo do tapete. CPIs fajutas, apuradores duvidosos e o corporativismo levaram a classe a esse descrédito. Mas hoje o povo já sabe o que quer. Tanto que, bastou a presidenta Dilma acenar para a faxina e a moralidade administrativa, para ter seus índices de popularidade elevados como os de nenhum outro governante. Abaixo os corporativos enxugadores de gelo, ensacadores de fumaça e enganadores do povo. A sociedade exige seriedade e... solução.
PRA FRENTE É QUE SE ANDA
Por Mara Narciso ... Diante de uma tendência que contraria o que pensamos, entra o argumento: mas sempre foi assim; isso é uma tradição. Tempos atrás não havia redes sociais na internet. O relativamente novo não é bom? Não negando a história, e até mesmo por isso, destacando-a, pensa-se que é preciso aceitar novos costumes. Tragédia seria a estagnação. Vendo fotos da década de 1970, relembro que entre as moças havia duas maneiras de agir, no entanto a maior parte, às claras, sincera ou falsamente, ainda vivia como décadas antes, seguindo os ensinamentos das suas castradas mães. Estas, reprimidas pelas suas próprias mães, e em seguida pelos maridos ditadores, rezavam numa cartilha prá lá de insustentável, considerando, pelas palavras do meu bisavô, Jason Gero de Souza Lima, morto em 1931, que “mulher é estopa, homem é fogo e o capeta atiça”. Há 40 anos, em tese, nas boas famílias as moças não saiam à noite sozinhas, apenas com irmãos, tios ou pais (de alguma maneira lembra o Talibã). Uma mulher de bem, vestia-se com decência (toda escondida por panos), e não entrava sozinha numa festa. Ia e voltava acompanhada pela família. Tudo acontecia cedo da noite, iniciando 20 h, indo até a meia-noite, no máximo. No ambiente iluminado, não se via agarração e nem beijos. A dança era discreta. Após a permissão do pai, o namoro se dava na sala de visitas, na presença de alguém. As moças eram orientadas a não darem a mão aos namorados, pois senão eles iriam querer o restante. No cinema, à tarde, era necessário ao menos uma amiga para “segurar a vela”. Existiam as figuras da mulher fácil, da mulher falada, e a temida mulher desmoralizada, aquela que saia de carro com os rapazes, que iam a piqueniques e que não se davam ao respeito. A ordem era não beijar na boca antes de ser noiva de casamento marcado. Assim, estaria preservada a família. Sexo era obrigatório depois do casamento civil e religioso. Lembrar disso surpreende por se mostrar pintado com tintas do impossível. Seguir essa cartilha era para pessoas que acreditavam nos rigores da punição divina. Ou da punição paterna, geralmente homens falsos, que tinham mais de uma mulher a vida toda. Ainda assim, põe hipocrisia nisso, pois havia grupos de moças que se rebelavam, ainda que caladas, se negando a cumprir esse manual. O mais estranho é que a maioria das mulheres dessa geração se casou virgem. Mesmo quando permitiam algum “avanço do sinal”. Os rapazes seus contemporâneos eram levados por homens mais velhos, por volta dos 14 anos de idade, a uma zona boêmia, e não raro, as namoradas sabiam que depois do namoro, com direito a um ou outro beijinho, eles iam encontrar-se com prostitutas. Lá eram estimulados a chegarem ao prazer em dois minutos. E as suas futuras esposas a nunca ceder aos desejos, guardando-os para o futuro. Um dia o futuro chega, e então? O desencontro é a norma, e o aprendizado a dois uma dificuldade. Um com ejaculação precoce e a outra frígida. Como regular a temperatura? Alguns encontraram a paz na cama, mas essas pessoas, que hoje se encontram entre 50 e 60 anos, estão se separando como nunca. A relação interpessoal é importante, mas a questão sexual tem conta alta. O desacerto de décadas está cobrando juros caros. As mulheres que se livraram das amarras e saíram na frente, procuraram o que julgavam certo, sem escutar normas irreais. Foram buscar e estão felizes, viveram de forma natural, sem perseguir o impossível. Outras, castradas, foram mães e fingiram que não foram. Por ordens da família abandonaram seus filhos em orfanatos. Vergonha era ser mãe solteira, outra figura que existia então. Incentivadas pela família, o abandono não era tão condenável quanto o sexo, embora muitas ainda hoje se sintam culpadas, procurando às cegas pelo passado. Desmoralizadas? Balela. Todas se casaram, algumas mais de uma vez, formaram-se, serviram e servem a sociedade, são respeitadas, inclusive pelos hipócritas, aqueles que fizeram por ditar, mas jamais seguir os próprios ditames. Anos atrás, era impossível uma menina de menos de 15 anos namorar, ou um casal solteiro dormir junto, na casa dos pais. O pragmatismo tomou conta. Os pais que assim os permitem, acham melhor do que na rua. Alguns ainda consideram imoral o sexo fora do casamento. Outros acham a corrupção, a fome e as guerras bem piores. E estão aí na cara, ou até na casa de alguns.
AMOR NA ZONA
Por Alberto Sena
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Quem cobriu o setor de polícia para O Jornal de Montes Claros (1970/ 72) e Estado de Minas (1972/79) durante quase dez anos acumulou na vida prática tudo que advém de matérias acadêmicas cujas denominações terminam em ‘gia’: antropologia, sociologia, psicologia etc., além de olho clínico para dizer o que é e o que não é. Daí fazer aqui, com base na vivência cotidiana, um vaticínio sobre o livro Amor na Zona organizado por Geraldo Maurício, do qual ele próprio participa, juntamente com mais 17 outros autores: o livro corre sério risco de ser lido e trelido em todo o Brasil depois de lançado em Belo Horizonte, na noite de 1º de junho próximo, uma sexta-feira, no Hotel Liberdade, de Paulinho Boechat. O evento já tem até nome: “Uma festa na zona”.
A equipe organizadora do lançamento concluiu que, se não mais existe aquela zona boêmia romântica e folclórica como antigamente, reconstruir o ambiente em “mise-en-scéne” de cinema poderia se encaixar bem naquela expressão: “A emenda saiu pior do que o soneto”. As zonas boêmias dos dias atuais têm outras características e se resumem em motéis, boates de show e danças. “É justamente isto que queremos mostrar”, disse Geraldo Maurício.
Amor na Zona foi organizado com base numa certa cronologia. Os textos, todos contendo narrativas do tempo em que lá em Montes Claros e de resto em todo o território nacional, a maioria dos homens iniciou vida sexual em zonas boêmias, estas existiam em profusão em determinadas regiões brasileiras, numas mais e noutras menos. Em Montes Claros havia na época contextualizada, verdadeiro “amor de zona”. Havia certo romantismo, glamour até.
O livro a ser lançado será lido tanto quanto por quem vivenciou experiências semelhantes na época retratada, 1960/70 e até antes, como pelas gerações atuais. Despretensiosamente, o livro traça uma linha do tempo e por meio dele quem não conheceu poderá conhecer agora e comparar os avanços em relação ao sexo, antes considerado tabu e hoje banalizado. Tão banalizado que as zonas boemias tão desancadas em épocas passadas perderam a razão de existir, e se existir ainda alguma deve estar restrita aos rincões do Brasil.
O leitor vai perceber, naquele tempo em que se namorava de mãos dadas, beijos fortuitos eram roubados, abraços, e quando muito em alguns casos se conseguia “um sarro”, como se dizia na época, ao contrário de hoje, tudo pode acontecer entre os namorados logo no primeiro encontro. A diferença é que naquelas décadas perdidas no tempo, amor de zona tinha romantismo também. Havia, inclusive, casos de pessoas “bem-casadas” da sociedade montes-clarense que mantinham mulheres na zona boêmia. Diziam: “Não mexa com aquela ali não porque ela é mulher de fulano...”
Amor na Zona tem prefácio do escritor, ex-juiz de direito, roedor contumaz de pequi, Augusto Vieira, que atende pelo epíteto de Bala-Doce. O livro traz textos de Darcy Ribeiro, João Valle Maurício, Mario Ribeiro Filho e de gente muito viva como Ademir Fialho, Augusto Vieira, Alberto Sena, Armênio Graça Filho, Alvarez, Haroldo Tourinho, Hildeberto Mendes, Geraldo Maurício, Marcos A. Pereira, Mazinho Silva, Murilo Antunes, Paulo Henrique Souto, Raphael Reys, Tininho Silva e Virgínia de Paula.
O lançamento do livro acontecerá na véspera do Dia Internacional das Prostitutas (dois de junho). A data veio a calhar, porque estão previstos vários eventos em Belo Horizonte neste ano. Esse foi o gancho que a equipe organizadora do lançamento precisava para promover o evento, que é do interesse de homens e mulheres, profissionais de psicologia, antropologia, sociologia, sexologia, literatura, intelectuais/jornalistas e quem mais se interessar possa.
Como escreveu em 2008, Letícia Barreto, autora de uma tese sobre a prostituição em Belo Horizonte, nas cercanias da Rua Guaicurus, “zona boêmia pode também ser uma coisa séria”. E era mesmo, pelo menos lá em Montes Claros. Naquela época, zona boêmia era tão séria que “as pessoas de bem” davam voltas para não passar próximas do local. Para as crianças então, zona boêmia era a mesma coisa que “casa do capeta”. Mal sabiam esses meninos que logo estariam fazendo diabruras por lá.
NUNCA DUVIDEM DAS MINHAS CERTEZAS, NEM DAS MINHAS CASMURRICES
Por Mara Narciso
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Não se enganem os aficionados pela literatura. Gosto de dar meus trinados opinativos, porém não tenho conhecimento para fazer crítica literária. Quem tem, e se preparou bastante, dando uma aula técnica impecável sobre Dom Casmurro, a obra prima de Machado de Assis, foi Miriam Carvalho, escritora, poetisa e mestra em Literatura.
Um erro dos que querem formar leitores é obrigar meninos e meninas adolescentes a ler Dom Casmurro. A leitura é possível, porém, pela densidade do tema, o natural é afugentar. O adulto interessado pode chegar e desvendar a alma de Bento e sua visão do caráter de Maria Capitolina. Conheça Capitu, a mulher dos olhos de ressaca, aqueles que atraem como vagalhões, as ondas violentas, cuja força traga o banhista para o fundo do mar.
A nona reunião do Clube de Leitura Ateliê/Galeria Felicidade Patrocínio foi numa noite de domingo, na qual mais de duas dúzias de leitores apaixonados discutiram não o sexo dos anjos, mas a narrativa de Bentinho, onipresente, onisciente, sabedor dos pensamentos e sentimentos das personagens que desfilaram no Rio de Janeiro após 1857. Miriam Carvalho observa que o autor se explica, enquanto o leitor constrói sua ideia. É como se fosse autobiográfico, memorialista, ou confessional. Para ela, os acontecimentos não são autênticos. Diz que não existe uma terceira pessoa que atuaria como intermediador. No inquérito não há separação entre narrador e protagonista, sendo Bentinho ao mesmo tempo vítima e juiz.
A palestrante falou que “Capitu tem olhos que puxam e arrastam, e num esforço de descrevê-la de forma isenta, o narrador devassa a sua interioridade”. Quando é pega em situação de desalinho, se recompõe num ímpeto, o que prova falsidade. Miriam relata que após o casamento e o aumento do ciúme, Capitu, uma mulher decidida e admirável, vai se apagando, e com as insinuações maldosas fica uma quase desaparecida. A cegueira do ciúme faz a curiosidade dela ser outra característica de infidelidade. E detalha: “quando Bentinho vê Capitu olhando o cadáver do amigo Escobar, entende a cena como confissão de culpa, fala do que vê como se fosse com isenção, como se tratasse da veracidade dos fatos. Mas a intenção é acusar a esposa e conquistar a credibilidade do leitor.” Analisa assim: “O narrador introjeta na narrativa o auditor, tanto quando afirma, como quando nega. É sagaz quando atrai o leitor. A mediação de quem lê é chamada para angariar sua adesão”.
Quando Ezequiel, o filho do casal, mostra semelhanças físicas com Escobar, a racionalidade foge, e Bentinho planeja a própria morte, sendo que depois passa a planejar a morte do filho. “Há um abismo entre os valores éticos do narrador e os do leitor”, diz Miriam. Bentinho é sincero na sua decisão de matar o filho, porém quer o leitor ao seu lado. Acontece que “a narrativa tem estrutura cíclica, vai e volta, e Capitu é a primeira a sugerir o fato da semelhança. São interpretações ambivalentes. Mostra não temer, ou seria astúcia para encobrir a prova?”, questiona a palestrante.
Não se joga Capitu aos leões de forma inconsequente, assim como não se trava o jogo de ciúmes impunemente. Na intertextualidade surgem em cena Otelo , Desdêmona e Iago, formando um triângulo amoroso. Alguém vai morrer, e no final, sob o veneno de Iago, morre Desdêmona em Shakespeare e vai exilada Capitu em Machado. Antes , porém, Bentinho sofre o ciúme mortal, aquele do qual não se pode escapar. A certeza se dá em todas as partes do livro, desde o baile, dos braços nus, até o homem tendo ciúmes do mar, para o qual olha sua esposa. Todos os gestos dela levam a mais certezas por parte do marido. Miriam Carvalho dissecou cada célula da personalidade do narrador, dizendo que Bentinho tem ódio no seu ciúme desvairado, querendo domar os “olhos de cigana obliqua e dissimulada”. Ele “descreve a esposa como possuidora de pupilas vagas, boca entreaberta, toda parada. Capitu olhava para si, mas ainda assim a atitude era vista com suspeita”, anota Miriam Carvalho.
Na segunda metade do século 19, há a figura da inviolabilidade materna. Escobar, na ocasião colega de seminário, ajuda Bentinho a escapar do juramento que fez Dona Glória, sua mãe, de torná-lo padre. Essa ajuda, para um homem que já estava apaixonado por Capitu tem um preço alto: a desconfiança patológica. Escobar se casa com Sancha, a melhor amiga de Capitu. O casal está sempre junto. Começam as insinuações. A certeza do adultério é inconsistente, por falta de provas alheias a sua mente. Avançando, Miriam passeia pelas personagens: “José Dias, o agregado da família, é o limite, é o muro que separa o que é aceito do que é proibido. Rompe o impasse da interdição. É confidente, conselheiro, sendo o arrimo para afastá-lo do seminário. Evita melindrar Capitu. Sancha é a hipótese da transgressão. Já Escobar é a certeza. Ezequiel é o confessor, sendo a foto do amigo, idêntica ao filho, a confissão pura.”
Após a morte da esposa na Europa, o filho adulto retorna, e é tão igual ao amigo morto, que é como se ele ressuscitasse, em carne, pois estava da idade deles da época do seminário. “Como fazer para o leitor aceitar a inconsistência da narrativa? O livro transige com as suspeitas, instiga o leitor a reinterpretar. Diz o autor que nem tudo na vida é claro, e assim também são os livros.”
A palestrante informou que a obra acaba de maneira não fechada e muitas conclusões podem ser tiradas. Então, “é preciso ler por detrás do texto. A verdade relativa mata a realidade. A doença do ciúme destroi. Na ocasião do lançamento, ano de 1900, a opinião pública condenou Capitu, mas permanece a dubiedade e a ambigüidade”, relata Miriam. Vinte passagens foram destacadas pela palestrante, e lidas para comprovar o passo a passo. Também comentou sobre a admirável capacidade de Machado de Assis abordar aspectos psicológicos dos personagens, com descrições ricas e hipnóticas. É considerado um gênio literário, que fala ao pé do ouvido do leitor.
Ao fim, Bentinho, como narrador da sua história, é tão envolvente quanto Capitu, pois conta de forma sedutora a sua convicção. Sendo uma obra não terminada, leva a acusações apaixonadas dos homens e defesas monumentais das mulheres. Para a apresentadora, importa pouco se Capitu traiu ou não Bentinho. O mais charmoso da história é não deixar ninguém indiferente, e haver poucas brechas para a defesa da mulher.
Muito se esmiuçou Dom Casmurro, desnudando a obra, no entanto, não basta, pois persiste suscitando paixões descabeladas. Para o escritor Wanderlino Arruda, uma pessoa nunca relê o mesmo livro, pois este modifica o leitor, que numa releitura não é mais o mesmo, e sim outro, assim como o livro, que, já sendo conhecido não é mais aquele da primeira vez. Ao final da apresentação, uma leitora não resistiu, e no calor da discussão sobre a provável traição de Capitu, exaltada, correu à frente para defendê-la. Após a instigante apresentação, Felicidade Patrocínio disse que “a análise de Miriam Carvalho foi um acréscimo ao Clube de Leitura, pois fez um verdadeiro tratado, nos levando a nadar nas palavras do escritor.” E que o mar não esteja em ressaca.
INIMIGOS ATÉ QUANDO?
Por Mara Narciso ... Há quem gaste mais tempo com os inimigos do que com os amigos. Pensa mais naqueles do que nestes. E acha que vale a pena. A inimizade – aversão, má-querença, falta de amizade -, costuma ser mais marcante que seu oposto, porque tem data de início. Não existe inimizade entre desconhecidos. Apenas amigos viram inimigos. Em determinada hora, o sentimento muda, tomando feições de aversão em seus vários graus, iniciado na sequência de palavras ásperas, faladas ou escritas, ou atitudes condenáveis. Dois ditos populares sobre a inimizade: não se deve convidar para a mesma mesa os que são inimigos; onde dois inimigos se encontram não nasce nem capim. A inimizade pode começar após discussão em que cada qual se sente o vencedor e, ainda assim, injustiçado. Costuma se vangloriar por ter dito isso ou aquilo, por ter ofendido, humilhado, desprezado, sido o mais cruel com as palavras. Quando se conhecem de tempos antes, buscam no passado fatos desagradáveis do outro, para usar como arma. Utiliza-se de todos os golpes baixos, iniciando-se aí uma inimizade. Ferrenha é um adjetivo que vem junto. O mundo fica menor, pois inimigos, antes amigos, costumam ter hábitos comuns, como por exemplo, frequentar os mesmos lugares. Os horizontes se fecham por um tempo. Há um luto que pode durar ou não. Depois, a dificuldade poderá ser superada, podendo voltar a se suportar na mesma roda. Ou o mundo fica pequeno para sempre. Quando a briga foi feia – como se existisse briga bonita -, passam a evitar encontros, perdendo oportunidades. Alguns conhecidos fomentam a inimizade levando e trazendo recados e impressões. É o diz-que-diz. Nisto, podem ter um vigor invejável. Os que cultuam um drama vão tecendo as dezenas de defeitos de caráter do inimigo. Pessoas rancorosas deixam a raiva na geladeira para poder tirá-la de lá e comê-la fresquinha, sempre que julgar necessário. Tornados irreconciliáveis inimigos, daí surgem mentiras, maledicências, invencionices. São as tais calúnia e difamação. O outro é visto pelos olhos do ódio, do despeito, o que o faz ainda maior. Em tempos de internet, isso poderá acontecer nas redes sociais, mesmo com as incipientes leis. Os caluniadores poderão ser encontrados, mas fakes existem para dificultar o trabalho da justiça. Quem ganha com isso? Por outro lado, não faltam pacifistas para ajudar a contornar o mal-estar e o constrangimento advindos dos reencontros, na vida real, que mais parecem trombadas. Por força das circunstâncias, há quem, sincero ou não, estenda a mão, e esta é deixada no ar, o cúmulo da falta de educação. Odioso presenciar isso. Nas novelas os inimigos se encontram a todo o instante travando batalhas verbais ou mesmo com acréscimos físicos. Aproximam-se do comportamento animal em disputa de território. Isso eleva o IBOPE, divertindo a audiência que toma um lado para torcer, de acordo com as instruções do autor. A ficção, em todas as suas formas, acha nas desavenças o combustível para suas tramas, afinal, sem intrigas não existe enredo. Sem inimigos, como os heróis vão mostrar suas virtudes e crescer? Na vida real, melhor desejar não ter inimigos. Cultuar a raiva serve a quem? Quando for inevitável o afastamento de alguém que nos feriu, passado o período necessário a cada caso, é melhor perdoar, ausentar-se em definitivo ou não, e se possível esquecer. Como diz o ditado: ter ódio é tomar veneno e esperar que o inimigo morra. Quem se suicida é o escorpião, em sua própria peçonha. Por outro lado, o inimigo estaria sempre errado? Inimizade é sentimento ruim no varejo. É o mal-estar individual, mas quando coletivo causa guerras.
MASTURBAÇÃO VIRTUAL
Por Reginauro Silva
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A paz do seu sorriso pode ser letra de música interpretada por Roberto Carlos mas, muito mais do que isso, é tudo aquilo que impregna o meu viver quando contemplo seu olhar de menina. E é ao som melodioso dessa canção que recrudesce a história dos nossos nãos, e me torço e contorço nos incontáveis sins que nos uniram na desunião e nos separam no reencontro.
Esses enleios que me atiram de volta a seus braços virtuais - já que impossibilitados pela matéria vigente - são os mesmos que teimam em transformar em realidade um passado que não é destino, muito menos ancoradouro de uma paixão insolúvel. E, assim como passado não é destino, futuro também deixa de sê-lo na medida em que confinamos o presente em nossos devaneios celulares. E dentro de cada célula sonho o sugar compulsivo do prazer que é ter você, ainda que à distância, ainda que sob a frieza quente de um gozo virtual.
Afinal, não são enleios nem entremeios nem galanteios nem caminhões de emeios que vão cicatrizar as feridas de dois trêfegos pisoteados por seres que se colocaram no mundo de amores desalmados, namoros incandescentes, junções tempestuosas que só se revelariam deletérias com o avançar do intercurso incolor, da interatividade inodora, da convivência insípida. Em outras palavras, relacionamento que – passados sofregamente os anos – resultaria numa verdadeira água. Sem cheiro, sem cor, sem sabor. Uma tragédia liquefeita.
Verdades se revelariam mentiras, juras se desmanchariam como pó, afinidades afundariam naturalmente beijo pós beijo, cheiro pós cheiro, carinho pós carinho, afago pós afago, encanto pós desencanto, até desfazer-se na proibição total das intimidades que um dia se despiram nuinhas diante de olhos safados, porém apaixonados, de mãos bobas, mas acolhedoras, passes de dança sequenciados de frente para a parede do mijo compartilhado.
E, hoje, tal como o poste que urina no cachorro, a mesma santinha (minha doce santinha) meiga, tênue, sensual, companheira, amiga e sem vergonha que balbuciava “é sua”, quase parte para as vias de fato quando indagada de quem é aquela coisinha linda que tanto orgasmo solfejou nos gritos e gemidos de assustar vizinhos:
- É minha! – grita com raiva não mais a moiçola conivente das brincadeiras de alcova, mas a proprietária protegida pela mata densa, obscura e espinhenta há tanto tempo desusada.
Estranho, muito estranho, mas dolorosamente real: depois de mil e um entranhamentos, hoje somos apenas estranhos... Nada mais?
Acho que não. Mas de que adiantaria um achismo agora, um francesismo que seja, se a realidade nos chama de volta, se as fotos postadas no orkut destruído já não refletem a mesma sensibilidade do dia em que foram produzidas, apesar da mesmice do cenário e das pessoas que nos rodeiam na pose pretérita? Mesmo o banner escondido debaixo da cama já não reflete o assanhamento do flagrante instantâneo daqueles flashes captados ora por uma câmera digital, outras vezes por um fotógrafo analógico. Que dizer, então, dos poemas arquivados naquela cibernética pasta dois-em-um? Agora são simples palavras jogadas umas contra as outras e não umas com as outras, não mais entrelaçadas ao ritmo rimado da alma esfogueada, não mais adocicadas pelo romantismo da jovem guarda que um dia fomos, e que se fizeram dois corações de papel despedaçados pelo cantor dito brega.
E – assim, deste jeito, desta maneira - vou relendo adjetivos substantivados pela aurora de nosso entardecer precoce: Inteligente/boa(bom)/carinhosa(o)/esforçada(o)/determinada(o)/forte/corajosa(o)/paciente/coompanheira(o)/amiga(o)/alegre/responsável/comprometida(o)/asseada(o)/cheirosa(o)/empreendedor(a)/arrojada(o)/honesta(o)/prestativa(o)/amorosa(o)/sensível/atenciosa(o)/disciplinada(o).
Eu sou você sabendo que você me é...
PALAVRÃO É APENAS UMA PALAVRA
Por Reginauro Silva ...
Lendo ou escrevendo, não se deve ter medo das palavras. Não se pode cultuar o dom da escrita temendo o que vai produzir sua mente laboriosa. Então, minha cara telespectadora, a melhor forma de fazer aflorar exatamente o que você pensa neste momento é jogar a palavra contra a tela e não esperar, jamais, que ela se volte contra quem a escreveu. Nada de efeito bumerangue na imaginação libertária dos autores brasileiros.
Já pensou se Clarice Lispector tivesse medo de (***)? Sem apelar para a forma erudita boceta, que nada quer dizer no romance erótico? Só que a (***) de Clarice, da forma com que é concebida, é uma (***) poética, carinhosa, cheia de charme. Uma (***) literária, diria eu. Neste sentido, qualquer (***) ganha leveza e ganha ternura no remelexo das coxas de uma ninfeta ensopada pela lascívia de um príncipe encantado e seu (***) enrijecido, bem no finzinho do capítulo e na chamada da vinheta.
Nada de susto. (***) enrijecido são apenas três sílabas soltas em um plano americano. Nada mais.
Pode consultar a semântica, a filologia, a hermenêutica, todos os compêndios gramaticais, enunciados e pronunciados. Em nenhuma dessas praias você encontrará uma (**) tão gostosa como a descrita por Jorge Amado em suas andanças pelo litoral baiano. Assim como dificilmente se defrontará com o (*) de Plínio Marcos em seus textos teatrais elaborados no desvario da paulicéia. Só que o (*) dos dois perdidos numa noite suja é bem mais limpo e cheiroso que o (**) conservador dos censores da ditadura de 64, que se escondiam sob o manto de um 69 de caserna para tesourar a força criadora de monstros sagrados como Nelson Rodrigues e sua (***) enrabando a doma do lotação; Roberto Drummond e a suruba da Guaicurus na (***) de Hilda Furacão; Vander Piroli e o pinto do menino; Chico Buarque e sanha ninfomaníaca da megera Geni; Aguinaldo Silva e a premonição da aids no câncer da vingança de Amelina Chaves; Dias Gomes e a Tara de Odorico Bem Amado por Juju e suas irmãs de sacanagem; Bendito Rui Barbosa e a sanha de Ritinha no recanto do riacho.
Como se vê, nem a ditadura, por mais dura que fosse, conseguiria amolecer o tesão embutido na veia novelesca do povo brasileiro e suas esporradas televisivas. É ejaculação solitária de uma orgia coletiva, dia e noite se ligando em você.
Verdade é que pessoas que nunca tiveram medo das palavras souberam, com argúcia e sagacidade, driblar os guardiãs da ordem constituída, mandando o status quo pra (**) que o pariu, com a mesma tranquilidade de quem se estrebucha comendo o parceiro ou a parceira entre uivos e gemidos de uma tomada de TV desencapada.
Na realidade, Denise, o que quero dizer é que o falso moralismo inibe a espontaneidade de promissoras revelações da escrita, em nome não se sabe de quê. Melhor seria que defendesse outras bandeiras, deixando passar a parada vocabular da cultura nacional. Não seria uma (***), um (**), um peito ou outra (**) qualquer que iria balançar as estruturas montadas sobre falsos pedestais, em defesa de uma camada podre por si mesma, degenerada no mais sórdido de suas falcatruas, suas corrupções, seus estupros e seus incestos mercantilistas. Isto, sim, é que é pecado. No mais, como diria Martha Suplicy, é relaxar e gozar...
E viva a novela das oito!
SIMULAÇÃO Concepção artística de planeta passando à frente da estrela
Cientistas europeus acabam de anunciar a descoberta do menor planeta já descoberto fora do Sistema Solar. Ele é rochoso e tem menos de duas vezes o diâmetro da Terra. Mas é bom não se animar; muito próximo de sua estrela mãe, ele completa um ano a cada 20 horas e experimenta temperaturas altíssimas em sua superfície.
De toda forma, a busca por astros cada vez mais parecidos com a Terra começa a esquentar, graças aos trabalhos do satélite franco-europeu Corot. Projetado pela agência espacial francesa (CNES), o projeto, que conta também com participação brasileira, é basicamente um telescópio espacial da alta sensibilidade, que consegue medir pequenas variações no brilho da estrela. Dependendo do padrão de variação, o fenômeno pode denunciar a ocorrência de um "estelemoto" (um terremoto estelar) ou a passagem de um planeta à frente da estrela (como representado na imagem acima). Foi assim que o Corot detectou o novo astro, designado COROT-Exo-7b. Sua temperatura local na superfície deve ficar entre 1.000 e 1.500 graus Celsius. Sua composição ainda não é certa. Ele pode ser majoritariamente composto por água (ou, com esse calor todo, vapor d'água), ou pode ser majoritariamente rochoso, como a Terra. Só que uma Terra no lugar errado do sistema planetário - muito perto da estrela, de forma que a superfície passe o tempo todo como lava derretida.
Em ambos os casos, é um cenário diferente de tudo que pode ser encontrado em nosso próprio Sistema Solar. "Encontrar um planeta pequeno assim não foi uma surpresa completa", disse, em nota, Daniel Rouan, pesquisador do Observatório de Paris Lesia e coordenador do projeto. "O COROT-Exo-7b pertence a uma classe de objetos cuja existência já foi prevista há um bom tempo. O Corot foi projetado exatamente na esperança de encontrar alguns desses objetos."
NA BAHIA, NÃO! Turistas ousados com mais de 60 são levados para a delegacia
Dois turistas alemães foram levados para a Delegacia de Proteção ao Turista, em Salvador, após tirar a roupa no saguão do Aeroporto Internacional de Salvador, na tarde da segunda-feira (2). Um terceiro, que estava com o grupo, também foi conduzido à delegacia para prestar depoimento.
Os três, todos com mais de 60 anos, deveriam embarcar para a Alemanha na noite da segunda-feira, mas foram impedidos de entrar no avião depois que dois deles baixaram as calças no saguão do aeroporto. Segundo a delegada Maritta Souza, os turistas disseram que não acharam que a troca de roupas incomodaria as pessoas presentes no local. No depoimento, os alemães declararam ter pensado que trocar de roupas em público era algo comum no país, dado o comportamento dos brasileiros nas praias. Maritta informou que os dois turistas foram indiciados por prática de ato obsceno e liberados na noite da segunda-feira. Eles devem retornar para a Alemanha ainda nesta semana.
Corpo de Leniza Antunes Teixeira ficou nas ferragens do carro A colisão entre um caminhão e um automóvel causou a morte de uma mulher e ferimentos em quatro pessoas. Essa tragédia aconteceu na rodovia BR-122, no final da tarde de domingo, 1º, entre Monte Azul e Mato Verde. Ao tentar ultrapassar um veículo, o motorista do Corsa, placa HDW-0466, Douglas Alves Teixeira perdeu a direção e com isso bateu na lateral do caminhão, placa KHP-4073. Os dois veículos são de Mato Verde. O automóvel ainda bateu no pneu do caminhão. Em conseqüência dessa colisão, Leniza Antunes Teixeira, 40 anos, morreu. O corpo ficou entre as ferragens. Uma equipe do 3º Pelotão do Corpo de Bombeiros de Janaúba esteve no local e retirou o corpo de Leniza. Ainda nesse acidente ficaram feridos Douglas e os passageiros Marcos Antônio Batista Lopes, 19 anos; Maicon Diego Alves Cardoso, 19 anos; e Fátima Tamires Rodrigues Silva, 13 anos. O motorista do caminhão não foi encontrado no local. (Reportagem: Oliveira Júnior)
Os pelo menos 36 concursos públicos que estão com inscrições abertas oferecem 12.149 vagas em todos os níveis de escolaridade, sem contar os concursos para cadastro de reserva. Os salários chegam a R$ 14.507,19. Veja abaixo quadro com informações dos concursos.
RESISTÊNCIA Até médicos se impressionam com o paciente, do qual foram retirados nove tumores
O vice-presidente José Alencar, que se recupera de cirurgia para retirada de tumores da região abdominal realizada no último dia 25, deixou nesta segunda-feira (2) a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), segundo boletim médico do hospital Sírio-Libanês. De acordo com o comunicado, o vice-presidente foi transferido para a Unidade Crítica Coronariana onde dará continuidade à sua recuperação. Ainda segundo o texto, Alencar "evolui bem, alimenta-se por via oral, se senta e conversa normalmente". As equipes que cuidam do vice-presidente são coordenadas pelos professores doutores Paulo Hoff (oncologista clínico), Roberto Kalil Filho (cardiologista) e Ademar Lopes (cirurgião-oncologista). A cirurgia A cirurgia, considerada de alta complexidade pelos médicos, é a mais delicada realizada nos dez anos em que José Alencar luta contra o câncer. Durante o procedimento, foram retirados nove tumores. Para remover o maior deles, com 12 centímetros de diâmetro, foi preciso remover também parte dos intestinos grosso e delgado. Foi necessário ainda retirar dois terços do canal que liga o rim esquerdo à bexiga; os médicos usaram parte do intestino para reconstruir o canal. Também foram removidos pelos menos outros oito tumores menores na região abdominal. No final da operação, os médicos também aplicaram uma injeção com uma solução de quimioterapia para que fossem eliminadas possíveis células cancerígenas. A cirurgia foi conduzida pelo cirurgião-oncologista Ademar Lopes. “O vice-Presidente e seus familiares foram avisados sobre a complexidade do procedimento, bem como, sobre os riscos trans e pós-operatórios, estando todos de perfeito acordo”, frisou o cirurgião-oncologista Ademar Lopes.
LIBERADÍSSIMO Ex-nadador, longe das piscinas, é todo modernidade
Fernando Scherer, o Xuxa, exibiu uma nova tatuagem neste fim de semana na praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis, Santa Catarina. O ex-nadador aproveitou os dias de sol para curtir o clube Praia Café De La Musique e para desfilar com o enorme dragão que fez nas costas.
A NÚMERO 1 Johanna tem 66 anos e uma ampla militância política
Johanna Sigurdardottir, casada com uma escritora desde 2002, tornou-se neste domingo, aos 66 anos, a primeira mulher à frente do Executivo da Islândia. Johanna Sigurdardottir, além de primeira mulher no país a ocupar o cargo de primeira-ministra é a primeira chefe de governo ocidental a assumir abertamente sua homossexualidade. "Fui convocada pelo presidente da Islândia para formar o novo governo, e conseguimos um gabinete baseado em novos valores sociais", disse. A líder social-democrata é considerada uma das personalidades políticas mais experientes do país. Ministra dos Assuntos Sociais no antigo governo, é conhecida por seu compromisso em favor dos mais pobres, o que lhe valeu o apelido de "Santa Joana". Sempre muito discreta sobre sua vida privada, sem no entanto esconder a orientação sexual, Johanna Sigurdardottir casou-se em 2002 com a companheira Jonina Ledsdottir. O presidente Grimsson, após tê-la recebido, para oficializar o novo governo, declarou que sentia um "grande prazer" com essa nomeação, porque ela se torna a "primeira mulher islandesa" a ocupar o posto. "Todos os ministros de meu governo deverão trabalhar rápido e energicamente" para levantar nossa situação econômica, declarou Sigurdardottir à imprensa. Sua sexualidade nunca foi um problema na Islândia onde, inclusive, seu casamento com a escritora Jonina Ledsdottit, de 54 anos, apareceu no site oficial do governo. No entanto, sempre se recusou a falar em público sobre esta questão e nunca concedeu entrevista sobre sua vida privada. Em pesquisa realizada em dezembro, 73% dos islandeses se mostraram satisfeitos com seu trabalho à frente do ministério de Assuntos Sociais. Nasceu em 4 de outubro de 1942 em Reikiavik, tendo sido aeromoça (entre 1962 e 1971), antes de entrar na política, em 1978, como deputada.
ALEGRIA, ALEGRIA! Fotos do momento do resgate são reproduzidas no mundo inteiro
Os helicópteros Cougar brasileiros que transportaram os quatro reféns libertados neste domingo (1º) pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) chegaram à cidade pousou às 18h56 local (21h56 de Brasília) no aeroporto Vanguardia, da cidade de Villavicencio, 90 km a sudeste de Bogotá.
A operação foi atrasada por causa de suposta ação de militares colombianos, disse o jornalista Jorge Botero, que participou do resgate. O governo nega ter quebrado a promessa de suspender ações militares na zona de entrega dos reféns.Um membro das Farc morreu e outro ficou desaparecido após "enfrentamentos com o exército colombiano" durante a operação de resgate, disse ao canal Telesur Jairo Martínez, um dos comandantes das Farc.
Segundo a jornalista Patricia Villegas da Telesur, canal estatal multinacional com sede na Venezuela, um guerrilheiro de nome "Saúl" morreu e um dos guardas dos reféns desapareceu ou está em poder dos militares colombianos.
A emissora citou ainda que aviões da Colômbia teriam voado junto aos helicópteros brasileiros destacados para o resgate. Segundo Jorge Botero, jornalista que participa da comissão humanitária encarregada de receber os quatro reféns, a operação foi retardada devido à interferência de aviões militares colombianos que seguiram o helicóptero que deveria transportá-los.
Os reféns, disse Botero, deveriam ter sido recebidos pelo resgate às 10h30 (hora local), mas isso só chegou a acontecer por volta das 15h00.
Citado pelo site do diário colombiano "El Tiempo", o comandante militar colombiano, general Freddy Padilla De León, negou que tenham ocorrido operações militares na área onde aconteceu a entrega dos reféns.
O comissário de Paz do governo colombiano Luis Carlos Restrepo diss que a Cruz Vermelha não mencionou, nas vezes em que se comunicaram, nada relacionado à suposta ação militar, apenas algum tipo de problema operacional.
As Farc anunciaram em dezembro que libertariam o ex-governador de Meta Alan Jara (sequestrado em 2001) e o ex-deputado de Valle del Cauca Sigifredo López (em cativeiro desde 2002), assim como três policiais e um militar. Jara deve ser solto na segunda-feira (2), e López na quarta-feira (4).
Se as duas outras libertações se confirmarem, serão 6 reféns livres entre os mais de 700 que se estima ainda estejam em poder das Farc, e que elas pretendem trocar por integrantes presos.
Este é o destino do atacante anunciado neste domingo O Cruzeiro anunciou neste domingo a negociação do atacante Guilherme com o Dínamo de Kiev e a contratação de Kléber. O time brasileiro vendeu os direitos econômicos de Guilherme ao clube ucraniano por 5 milhões de euros (cerca de R$ 21 milhões), e obteve os direitos do ex-jogador do Palmeiras. As transferências foram definidas depois que o Zaragoza, que disputa a Segunda Divisão do Campeonato Espanhol, não concluiu a negociação para comprar os direitos de Guilherme. Na quarta-feira, o Cruzeiro chegou a anunciar a venda para o clube espanhol. Mas o negócio foi desfeito porque o Zaragoza não teria apresentado garantias bancárias para a confirmação da transferência. Na sexta-feira, o time brasileiro recuou e descartou a venda de Guilherme. O time espanhol chegou a ameaçar acionar o Cruzeiro na Justiça. Guilherme, de 20 anos, é formado nas categorias de base do Cruzeiro. Pelo clube mineiro, ele marcou 36 gols em 84 jogos e conquistou a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2007 e o campeonato estadual de 2008. Já o atacante Kléber, que disputou o Brasileirão de 2008 com a camisa do Palmeiras, é o nono reforço do time para a temporada. O jogador participou da campanha vitoriosa no Campeonato Paulista do ano passado e faturou cinco títulos com o Dínamo em quatro temporadas na Ucrânia.
Manifestantes participam de Marcha da Maconha ontem, sábado, durante o Fórum Social Mundial, em Belém (PA), que defende a legalização da droga.
Manifestante defende a liberação da maconha, durante Fórum, em Belém (PA). Em maio de 2008, Justiça proibiu a realização da Marcha da Maconha no Rio de Janeiro.
Bebê tinha marca de mordida e hematomas pelo corpo Um homem de 26 anos foi preso por agredir a filha de 4 meses em Ji-Paraná (RO), no sábado (31). Foi a mãe da criança quem denunciou o companheiro por maus-tratos.
Acompanhada pelo bebê, a mãe foi até a delegacia e afirmou que não foi a primeira vez que o companheiro era violento. Segundo a polícia, a criança estava com hematomas pelo corpo, inclusive uma marca de mordida na perna.
A médica legista Gilca Lamego, que examinou a criança, afirmou que os exames indicam que a menina vinha sendo alvo de agressões há vários dias.
COISA DE BAIANO Pai ficou desesperado quando viu filho diferente do seu...
Uma mãe foi presa no sábado (31), após o desaparecimento da filha, em Porto Seguro (BA). Ela foi denunciada pelo marido. Ele disse à polícia que, pouco antes do parto, há dois meses, a mulher saiu de casa e voltou dois dias depois. Segundo ele, a mulher havia dado à luz e contou que entregou o bebê para um casal de turistas. Depois que o marido registrou boletim de ocorrência na delegacia, a mulher apareceu com uma criança. Porém, um exame de DNA apontou que não era a filha do casal. A criança foi levada para um abrigo. A polícia investiga o caso para descobrir quem são os pais da criança devolvida e procura pistas do bebê que desapareceu.
TAL E QUAL Quem disse que São Paulo não tem carnaval igual ao do Rio?
Com pouca roupa e muita disposição, Ellen Rocche botou para quebrar no sambódromo neste sábado, 31, em São Paulo. A loira, que vestia saia, top e sandálias gladiadoras, sambou ao som dos ritmistas da Rosas de Ouro, escola em que vai desfilar no carnaval paulistano.
SÓ DEUS EXPLICA Falaram até em tentativa de suicídio
A van de Daniel Lyons praticamente criou asas quando derrapou em uma pista sinuosa em cânion do Colorado (EUA). E, tal qual um pássaro metálico, pousou milagrosamente em uma rocha no meio do precipício.
Daniel, de 34 anos, foi retirado do Dodge 1987, por uma equipe de resgate, em segurança e sem ferimentos graves. Investigadores disseram que não havia marca de derrapagem na pista, indicando que o americano pode ter tentado o suicídio.
"Foi realmente um milagre. Mais alguns centímetros e o carro continuaria em queda livre até a base do cânion. Ninguém sobrevive a esse tipo de acidente. Ele tem que agradecer por estar vivo", disse ao "Denver Post" um guarda do Parque Nacional do Colorado.
APENAS MAIS UM Outros nomes famosos já foram usados em embalagens
Todo mundo está querendo tirar uma casquinha da fama de Barack Obama. Até mesmo os traficantes. É o que está acontecendo no condado de Sullivan, em Nova York. Para alavancar as vendas, os traficantes puseram o nome do presidente americano nas embalagens de heroíba vendidas nas ruas. Obama não está sozinho nas "homenagens" dos criminosos. Policiais da região já encontraram papelotes inusitados: Heroína Bin Laden Ecstasy Harry Potter Cocaína Teletubbies Crack São Patrício (padroeiro da Big Apple)
O site downsizer.net, que tem como slogan "por um futuro sustentável e ético", publicou o passo-a-passo de como as mulheres podem produzir seus próprios absorventes íntimos laváveis e reutilizáveis. A reportagem mostra modelos grandes e pequenos feitos com tecidos coloridos e até com estampa de oncinha.
Segundo eles, as razões para trocar os absorventes descartáveis pelos permanentes são: benefícios ambientais (graças à consequente diminuição do volume de lixo), economia de dinheiro, adaptação dos modelos conforme as necessidades de quem os usar, conforto e, acima de tudo, "eles são lindos e é muito legal fazê-los e depois usá-los".
Site mostra passo-a-passo de como as mulheres podem produzir seus absorventes
Eles podem ser feitos em qualquer tamanho, mas a reportagem dá duas sugestões de moldes acompanhando as instruções.
Os materiais sugeridos são flanelete, tecido impermeável ("Naprap"), fleece (semelhante à pelúcia) e tecido de toalha. O conselho é ter vários modelos para diferentes ocasiões --para a noite, para os dias "mais pesados".
O site aconselha: depois de deixá-los de molho para facilitar a lavagem, jogue a água no jardim. É bom para as plantas.
LADO A LADO O vice-prefeito Lindorifo Bento e o prefeito Reinaldo Teixeira
O prefeito de Capitão Enéas, Reinaldo Landulfo Teixeira, anunciou ontem, sexta-feira, a sua nova metodologia de trabalho para os próximos quatro anos e cobrou dos secretários municipais a elaboração de um plano estratégico para os primeiros 180 dias como titulares das pastas que coordenam. O chefe do Executivo eneapolitano esteve reunido durante todo o dia com parte de sua equipe de trabalho – secretários e assessores, além de cinco dos nove vereadores da atual Legislatura – durante a realização do Seminário de Gestão Pública de Capitão Enéas, coordenado pela Menezes Consultores e Advogados Associados, empresa contratada pela Prefeitura para auxiliar na elaboração do Plano Plurianual, do Plano Diretor e a reforma administrativa que serão encaminhados à Câmara Municipal até o final deste semestre. Durante a solenidade, Reinaldo Teixeira avisou que toda a sua equipe assinará com a administração um acordo de resultados com metas a serem cumpridas, a exemplo do que é feito no governo estadual. Os secretários ainda darão suporte à Menezes Consultores e Advogados Associados, especialmente para fazer um planejamento de longo prazo para Capitão Enéas. “A cidade precisa construir cenários do que pode acontecer em termos de economia, política e gestão de governo”, justificou o prefeito, que, em discurso, repetiu que a marca da sua gestão, neste segundo mandato, será a qualificação técnica e não a política. O prefeito aproveitou também para apresentar à sua equipe de trabalho o seu secretariado, assim composto: David Lopes da Silva (chefe de Gabinete), José Roberto Vieira Santos (secretário Executivo de Gabinete), Lindorifo Bento da Silva (secretário de Governo), Arivaldo Ribeiro Sousa (secretário de Administração, Fazenda e Controle), Maria de Lourdes Mendes Maia Teixeira (secretária de Desenvolvimento e Assistência Social), Valdete Rodrigues Rocha (secretário de Saúde), Marina Antunes Maia (secretária de Educação, Cultura e Esportes), Walter Moreira Abreu (secretário de Desenvolvimento Econômico), José Marley dos Santos (secretário de Agricultura e Meio Ambiente) e João Pereira Neto (secretário de Infra-estrutura e Serviços). Parte da equipe já ocupava cargos na administração passada e terá pela frente a tarefa de manter programas e obras em andamento – a despeito dos possíveis reflexos da crise financeira mundial no orçamento deste ano.
O indiano Guinness Rishi, 67 anos, afirma que sua velocidade para “beber” o conteúdo de um vidro inteiro de catchup é imbatível: são 490 gramas em apenas 39 segundos. O feito é sempre realizado com a ajuda de um canudinho e ele se divide entre duas marcas favoritas: Maggi e Heinz.
A crença de que é um recordista fez até com que o morador de Nova Déli mudasse de nome, diz o site “Daily Mail”. O fã do condimento, que se chamava Har Parkash, virou Guinness Rishi em homenagem ao livro dos recordes. Até agora, no entanto, ele não aparece nas páginas da publicação. Além da familiaridade com catchup, Rishi quer entrar no livro por outros feitos, como adotar a pessoa mais velha do mundo (ele ganhou a custódia de um cunhado de 61 anos), construir a maior torre de pedras de açúcar e manter uma scooter funcionando por 1.001 horas em 1991. No total, ele afirma que bateu 19 recordes dos mais diversos tipos.
NA CALIFÓRNIA O ex-padre George Miller (esq.) olha para o seu advogado Steven Cron durante o julgamento
Um ex-padre da Igreja Católica Romana foi condenado a três anos de prisão por molestar um garoto no final dos anos 1980, na Califórnia, nos Estados Unidos. George Miller, de 70 anos, se declarou culpado de abusar de um menino de 9 anos e ainda admitiu ter molestado sexualmente de outros quatros garotos. Nestes outros casos, porém, ele não poderá ser processado por conta de limitações da lei. O menino abusado, que tem hoje 30 anos, chorou ao falar no tribunal de frente para o ex-padre. “Eu olhei para Deus e Deus me deu você”, disse, chorando. “Você é um padre, minha família acreditou em você para me ensinar os caminhos do Senhor, não o caminho para o inferno”, completou a vítima, que teve o nome protegido.
A vítima afirmou ainda que o seu irmão está preso por culpa de Miller. Após também ser abusado, passou a cometer crimes e se envolveu com drogas. O ex-padre não falou nada após uma segunda vítima, hoje com 42 anos, também ser testemunha no caso. Tod Tamberg, diretor de comunicação da igreja, aprovou a sentença. “Esperamos que o resultado do julgamento traga algum conforto para as vítimas de George Miller”, disse.
BODAS DE SANGUE Peça com Pitanga e Spiller está em cartaz no Rio Na noite desta sexta-feira, 30, Camila Pitanga conferiu a estreia de "Bodas de sangue", no Teatro Tom Jobim, no Rio. Letícia Spiller, que atua na peça, ganhou um chamego e tanto da amiga. Depois da apresentação, Camila abraçou Letícia e deu um selinho na atriz. Renata Sorrah também assistiu ao espetáculo, dirigido por Amir Haddad e que conta também com Tereza Seiblitz no elenco.
DOIS MOMENTOS Laura Zuniga durante concurso de beleza e em imagem liberada pela polícia mexicana após ser detida
Uma miss detida semanas atrás em companhia de supostos traficantes fortemente armados no México foi libertada após a promotoria anunciar ontem, sexta-feira, que decidiu não apresentar acusações formais contra ela. Laura Zúniga, de 23 anos, atual Miss Sinaloa, foi presa em 23 dezembro de 2008, junto com sete homens, em uma blitz militar. A polícia encontrou rifles e mais de US$ 55 mil nos veículos de luxo onde o grupo estava. Ela deixou a prisão na noite de ontem, sexta-feira, com advogados e sem falar com a imprensa. A mulher, "rainha" do Estado de Sinaloa, reduto do narcotráfico no noroeste do país, tem causado comoção na mídia mexicana desde que foi detida em um centro carcerário federal. A promotoria mexicana disse na sexta-feira que não há provas de que ela estivesse envolvida em atividade criminal. Os promotores acreditam que Angel García Urquiza, líder do cartel de Juárez, preso na mesma operação, seja namorado de Laura. A imprensa mexicana diz que eles namoram. Os sete suspeitos detidos na blitz perto de Guadalajara (Oeste) permanecerão presos por pelo menos mais 38 dias, segundo a imprensa mexicana. O Estado de Sinaloa está na rota do tráfico de drogas para os EUA, e é local de violentas disputas entre quadrilhas. Os confrontos entre os traficantes e destes contra a polícia matou mais de 5.700 pessoas no ano passado, apesar da presença do Exército e da atenção que o governo de Felipe Calderón dedica ao problema.
Quem garante é o repórter social João Jorge, em sua coluna Conexão Regional, que circula neste final de semana no jornal O NORTE: apesar dos boatos, Tadeu está com uma saúde de ferro. Eis o texto de JJ, na íntegra: Tadeu com saúde – Esta semana o porta-voz do prefeito Luís Tadeu Leite, vereador Ildeu Maia, desmentiu através da Tribuna da Câmara Municipal os boatos de que o prefeito estaria em tratamento em BH. O vereador do PP, lembrou que os comentários maldosos não passam de boatos para tentar desestabilizar a administração. Muito bem de saúde, Tadeu esteve recentemente três dias em BH, objetivando viabilizar recursos para Montes Claros, tendo em vista que recebeu uma cidade em estado de calamidade. Central de boatos – A central de boatos ligada ao ex-prefeito derrotado, tenta de todas as formas criar factóides para tentar apagar as denúncias contra a fraca administração de Athos Avelino. O detalhe é que Tadeu já começou a abrir a caixa preta da administração anterior, denunciando ao ministério público a dívida de 30 milhões, 761 mil, 330 reais e 74 centavos, herdada recentemente. A saúde que vai mal é a das finanças, herança de Athos.
Estrela do longa "Show de Vizinha" e intérprete da filha do personagem Jack Bauer na série "24 Horas", a atriz Elisha Cuthbert posou para um ensaio sensual para a revista "Complex". Apesar de aparecer com um generoso decote na capa da publicação, Elisha afirma durante a entrevista que gostaria que as pessoas prestassem mais atenção no que ela diz do que em seus seios.
Willian Peixoto, o Gordinho, preso por tráficoA polícia civil de Janaúba prendeu na tarde desta sexta-feira Willian Peixoto da Silva, 21 anos, sob acusação de tráfico de drogas. Através de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça local, os agentes da PC foram à casa de Willian, conhecido por “Gordinho”. Este tentou jogar fora uma embalagem com a droga, mas foi flagrado. Levantamento da polícia aponta que “Gordinho” veio de Uberlândia há quatro meses e estaria, em Janaúba, comercializando cocaína e crack. Nesta cidade ele vive em companhia de uma mulher de 20 anos com a qual tem um filho de um ano de idade. Na casa do casal os policiais encontraram 27 pedras de crack, 100 papelotes com crack, 4 pedras de cocaína, cerca de 200 gramas de ácido bórico, um vidro de acetona, bicarbonato, e objetos para a pesagem e embalagem de drogas, além de uma caderneta com anotações em código. O acusado foi autuado em flagrante pelo delegado de polícia Bruno Resende. A apreensão da droga e a prisão de “Gordinho” foram efetuadas pelos agentes de polícia Silvimar Dias, Marcos Sidney, Luciano Oliveira, José Edval e Roberto Cássio. (Reportagem: Oliveira Júnior)
Drogas, faca, celulares e caderno de anotações apreendidos pela PC
· Assessor criminoso será desmascarado – Caiu como uma bomba no meio político, a matéria do blog A Província (http://www.reginauro.blospot.com/) sobre o assessor político do ex-prefeito Athos Avelino, responsável pela avaria geral oriunda do sistema de computação gráfica desencadeada entre a eleição e a posse do prefeito Tadeu Leite. O perigoso figurão já usou deste e de outros artifícios de maldade em outras campanhas, o principal alvo desse assessor criminoso, velha raposa e pé frio da política, popularmente conhecido como pé de geladeira, foi o planejamento 2009 traçado pela administração anterior, e que facilitaria o trabalho dos novos administradores nos primeiros meses de governo. Com a maldade do assessor todos os computadores foram afetados.
· Prejuízo geral – É lamentável que milhares de pessoas estejam hoje prejudicadas pela ação criminosa deste cidadão, inclusive contratados e estagiários impedidos de receber pelo mês de dezembro trabalhado, dentre outros prejuízos. O prefeito Tadeu Leite, deverá tomar as medidas legais aplicáveis ao crime cometido por este cidadão que se configura em crime contra a fé pública. Espera-se que nos próximos dias o mesmo seja indiciado e posteriormente denunciado pelo Ministério Público. A imprensa deverá divulgar brevemente seu nome.
O australiano Tony Barton disse que testemunhou em seu jardim uma cobra renascer de novo após ter sido engolida viva por outra. Segundo o jornal inglês "Daily Mail", Barton tirou fotos que mostram a sequência em que uma cobra marrom é engolida por outra preta e, posteriormente, o momento em que ela sai. "Quando você conta essas histórias, ninguém acredita em você", disse Barton, que mora na pequena cidade de Gundagai (Austrália). "Mas eu tenho as fotos para provar isso", afirmou. Segundo Barton, demorou quase 15 minutos para a cobra marrom de cerca de 1,7 metro desaparecer no interior da outra. Após engolir a rival, a serpente preta se moveu para um lugar com sombra. Um tempo depois quando decidiu dar uma nova olhada na cobra, Barton disse que tomou um susto ao ver a cobra marrom sair intacta do interior da serpente negra. "Estava coberta de muco, como se poderia esperar, mas parecia estar completamente intacta. Em seguida, as duas cobras seguiram em direções diferentes", contou ele.
FINALMENTE... Ripper chega à delegacia escoltado por PMs: tráfico e suspeita de assassinato
Policiais do GIPV - Grupo integrado de prevenção à vida, equipe do setor de inteligência da polícia militar, em operação conjunta com a Rocca, prenderam na tarde de hoje, quinta-feira, Deivid Dener Souza, o Ripper, de 27 anos. De acordo com o cabo Amorim, do GIPV, Ripper é suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas e a autoria de vários homicídios na cidade, entre eles o primeiro assassinato de 2009, registrado na Rua Manoel de Freitas, Bairro Jardim Alvorada. A vítima foi o adolescente Patrick Iohan Ferreira Mendes, 16 anos. Segundo Amorim, Deivid Dener vinha sendo investigado há tempos pelo setor de inteligência da PM. Tentando se esquivar tanto da polícia quanto de seus rivais do crime, Ripper sempre mudava de endereço. Mas, por volta das 16h20 desta quinta-feira, policiais do GIPV e outras guarnições da PM chegaram ao esconderijo do suspeito, na Rua Américo Pio Dias, Vila Tiradentes. No local foram apreendidas duas armas, sendo um revólver calibre 38 e uma pistola 0.45. As armas foram encontradas escondidas no interior de um fogão a gás. No local ainda foram apreendidos: 21 munições de vários calibres, um papelote de cocaína e uma moto. (Reportagem: Rogeriano Cardoso)
UM GESTO QUE ENTRA DEFINITIVAMENTE NA HISTÓRIA Garotas perto de escultura de sapato em Tikrit, a 130 km de Bagdá, nesta quinta-feira (29). A escultura foi feita em homenagem ao sapato lançado ao ex-presidente dos EUA George W. Bush em dezembro de 2008.
ATENTADO VIRA SÁTIRAS, PARÓDIAS... Funcionários lociais riem durante a inauguração da escultura. O 'atentado', depois de inspirar protestos, sátiras e paródias, agora virou obra de arte. A estátua é obra do artista Laith al-Amari, de Bagdá, e foi feita em cobre e fibra de vidro. Ajudado por crianças locais, ele levou 15 dias para completá-la.
E SE FOSSE LOURA? Papagaio Emil usa a privada quando está 'apertado'
É comum os papagaios aprenderem a falar, mas um foi além e sabe usar o banheiro na Suécia. O pássaro chamado Emil, de 10 anos, foi ensinado desde os quatro meses de idade a usar a privada corretamente, de acordo com a proprietária Yasmin Mughal. "Percebemos que cada vez que o tirávamos da gaiola, ele queria fazer cocô. Então, pensamos que o melhor lugar para ele seria o banheiro. Colocamos Emil na privada e dissemos para ele fazer cocô", disse Yasmin.
Apesar do momento conturbado que vive fora das quatro linhas, Robinho mostrou sangue frio e concentração e teve boa participação na vitória do Manchester City sobre o Newcastle, nesta quarta-feira. Jogando em casa, o time do brasileiro (que só nesta semana recebeu pesada multa do clube e foi detido sob acusação de estupro) venceu o rival por 2 a 1, em partida válida pelo Campeonato Inglês . Robinho deu o passe para o primeiro gol do jogo, marcado por Wright-Phillips. O estreante Bellamy fez o segundo do City e Carrol diminuiu para o Newcastle. O City se afasta assim da zona de rebaixamento, somando agora 28 pontos, sete acima da zona da degola. O Newcastle segue com 23 pontos, dois a mais que o lanterna.
O QUE DIZEM OS COLEGAS Reprodução da página online do 'The Sun': Craque Robinho preso por estupro, diz a manchete
'Times Online': 'O jogador mais caro da Grã-Bretanha, Robinho, detido por um suposto estupro'
Um escândalo envolvendo o atacante Robinho estourou na mídia inglesa. De acordo com as versões digitais do tablóide 'The Sun' e do diário 'The Times', o brasileiro foi detido pela polícia inglesa sob a acusação de estupro. Ele teria passado a terça-feira em uma delegacia e só teria sido liberado após pagar fiança.
A suposta vítima, uma moça de 18 anos, teria acusado o craque de abuso sexual durante uma festa na área VIP de uma boate em Leeds, no dia 14 de janeiro. O 'The Sun' publica ainda declarações de Chris Nataniel, descrito na matéria como porta-voz do craque.
- Robinho nega veementemente qualquer acusação de má conduta ou envolvimento criminal e se coloca à disposição para prestar mais esclarecimentos se solicitado - diz Nathaniel.
Ainda segundo o tablóide , Robinho seria abordado pela polícia logo após o período de treinamentos do Manchester City em Tenerife, na Espanha. O jogador, porém, surpreendeu os oficiais ingleses ao viajar para o Brasil, ficando longe dos treinos com os demais companheiros.
O jornal "The Times", por sua vez, publica declarações de um porta-voz da polícia de West Yorkshire sobre o caso.
- Um homem foi preso hoje e inquirido sobre possível ligação com um suposto incidente numa boate em Leeds, em 14 de janeiro. Ele foi liberado e pode ser chamado para novos esclarecimentos - disse o representante da polícia.
Robinho, porém, negou qualquer envolvimento com o caso. O jogador do Manchester City disse à jornalista Joanna de Assis que estava tranquilo e que nada tinha feito.
AXÉ BAIANO Vira e Mexe, Vixe Mainha e Terra Samba são algumas das atrações programadas para as duas cidades
Considerada como uma das melhores cidades para se aproveitar o carnaval no interior de Minas Gerais, Janaúba promove a festa com novo nome e nova proposta. É o Janalegria 2009, que a Star Promoções realiza no período de 20 a 24 de fevereiro, com grandes nomes do axé baiano. VixeNa Avenida Beira-Rio passarão atrações como Terra Samba, Abadaba, Mainha, Vira e Mexe, Rapazuera e mais outras cinco bandas: Remexaê, Negretes do Samba, Banda Zen e Inalaê. O Espaço Folia do Janalegria terá circuito fechado, com segurança privada e pública, camarote vip, camarotes empresariais, boate, bares, banheiros químicos, palco e trios elétricos. O folião poderá escolher o abadá de pista, ao custo de R$ 80, ou optar pelo camarote, no valor de R$ 140, valores parcelados em até quatro vezes nos cartões Visa e Mastercard. A Star promove também o carnaval de Diamantina, um dos mais animados de Minas, com as aclamadas bandas Bartucada e Batcaverna, que se revezam na Praça do Mercado Velho. Na Star podem ser adquiridos os acessos para a área vip, ao custo de R$ 160, e camarote open bar (masculino: R$ 420, e feminino: R$ 390). Além de inovar na produção de eventos tradicionais e consolidados através de sua atuação, a exemplo do Axé Montes, carnaval de Diamantina, dentre outros, a Star Promoções produzirá, em 2009, eventos de cunho regional, priorizando a valorização da cultura local dos municípios. (Reportagem: Ana Maria Barbosa)
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MURO DE LAMENTAÇÕES
ESTES ESTÃO NA COLA
DIDU, ALGUMAS LEMBRANÇAS...
Por Haroldo Tourinho
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"Ele, clarão de um meteoro iluminado/sem outro motivo a não ser sua/própria presença, se vai só a se extinguir."
MALLARMÉ, Sthéphane/sobre Rimbaud
...
Meu querido irmão Roberto, Didu para os amigos, muitos, faria em 28 de fevereiro último 60 anos. Peça rara, raríssima - consenso - se foi, precocemente, aos 37. Nas teias da vida chocou-se com uma locomotiva vinda em sentido oposto.
Quando menino, ainda no marista São José, sabia de cor e salteado todas aquelas coisas maçantes que quase ninguém sabia ou queria saber: biografias de santos, datas históricas e, cacete!, nomes de rios e mares e capitais mundo afora. Fazia análise sintática! De textos de Camões!, a quem não poucos odiavam e chamavam de o Caolho. Quando, em casa, dava-se a recitar poesias, meu pai ficava de queixo caído: "Esse menino é
um gênio!"
Desnecessário encaminhá-lo a testes vocacionais, o boletim escolar apontava-lhe o destino: em matemática, desenho (geométrico), educação física (não ia às aulas), ciências, música, caligrafia, ZERO; em história, geografia, português, inglês, francês, religião, DEZ.
Comportamento, idem. Só se dedicava ao que gostava, daí sua média mensal sempre baixa. Mas não chegou a tomar bomba no ginásio.
Na adolescência, como bons irmãos que éramos, começamos a divergir em alguns pontos. Ele, apaixonado, fanático por futebol, assinava a revista Placar e não deixava de ler um parágrafo sequer dos cadernos de esportes do Estado de Minas e do Jornal do Brasil. Seus novos santos eram agora jogadores. Dos favoritos sabia tudo: nome completo!, data e local de nascimento, prato e perfume prediletos, carreira - veio-de-onde, vai-pra-onde, valor do passe..., estado de saúde - está contundido, quebrou o braço, a perna, levou uma cotovelada no olho, operou os meniscos... Uma coisa! Eu criticava aquela inutilidade cultural e ele retrucava, marcando gol: "Uai, você não sabe a data de nascimento de cada um dos Beatles? Que Ringo Starr toma uísque com Coca-Cola? Que John, abandonado pela mãe separada do marido, foi viver com a tia Mimi?
Sua paixão futebolística tocou a trave da loucura ao resolver
pintar o quarto de vermelho e preto. Cores do seu adorado Flamengo, tricampeão carioca de 53-54-1955, feito que ele não cansava de repetir.
Nos outros times, com raras exceções, só havia pernas de pau, juízo que modificava quando passavam a ostentar a camisa do Mengo... Até curti a ideia de ver nosso quarto rubro-negro, mas mamãe vetou-a: "Aí é demais!" Minha bisavó Carlota, que morava conosco, veio a reboque: "Oh, meu filho, são cores do
demônio, do inferno, não faça isso, vou lhe mandar benzer."
Ele e vovó Carlota eram parceiros no jogo do bicho: ela financiava, ele ia ao apontador, o que para ela não ficava bem. Quando ganhavam dividiam o prêmio e eu ficava com uma ponta de inveja, mas acabava levando uns trocados.
Jogo, outra das paixões do Didu adolescente, fosse qual fosse,
lúdico ou contraproducente: damas, xadrez, ludo-real, dominó, varetas, banco imobiliário (o War viria mais tarde, mas ele ainda o alcançou), roleta, buraco em família, sete-e-meio, vinte-e-um, caixeta e pôquer com os amigos, esses últimos apostado. Para o pôquer - lembram os parceiros - paramentava-se com sua camisa-polo do Flamengo e acendia
uma vela sobre o aparador da sala de jantar. E entrava em campo para ganhar, frio, calculista, blefador.
Separamo-nos, enfim, de quarto. Fui para um outro com meus rocks, ele permaneceu no nosso com o seu futebol. Logo encontraria no meu irmão-de-leite Sérgio Deusdará um substituto. Nos fins de semana ouviam, num rádio portátil enorme, de seis ou oito pilhas, todos os jogos possíveis.
E não ficavam nisso. Encerradas as partidas, passavam aos comentários e mesas redondas, um saco! Eu ficava por ali, só, e os dois metidos no quarto com sucos e biscoitos. Devido ao avançado da hora, Sérgio acabava dormindo em minha antiga cama.
Seus pais, dr. Deusdará e Toinha, amigos dos meus, sabiam que, de sábado à tarde à noite de domingo, com o filho não podiam contar. Logo comecei a frequentar festinhas e não dava mais bola para eles.
Depois Didu mudou, por volta dos seus 14/15 anos. Continuou
Flamengo, sempre, mas encaixotou sua coleção de Placar e passou a lerRimbaud, Baudelaire, Mallarmé, Verlaine, Vinícius, Drummond..., poetas mais sérios dos que lia até então. E de mero espectador de cinema evoluiu para a categoria de cinéfilo, de carteirinha. Mesmo sem alcançá-los, que idade nem maturidade tinha para isso, só falava em Goddard, Glauber,
Welles, Pasolini, Antonioni, Fellini, e em nosso Carlos Alberto Prates, a quem chamava intimamente de Charles (ficaram amigos quando da filmagem local de Os marginais). John Ford, Howard Hawks? Apenas mestres do passado...
E assim como anotava em uma caderneta todos os livros lidos, com a sua cotação final, bom ou mau, abriu outra para os filmes. Ali se podia ver título, gênero, diretor, produtor, atores principais, coadjuvantes, enfim, tudo o que merecia créditos na película. Acrescentava o nome da sala que exibira a fita e o preço do ingresso! Finalmente, a sua cotação, que ia de uma a cinco estrelas.
Em Belo Horizonte, para onde foi pouco depois dessa época, tornou-se assinante dos Cahiers du Cinéma por algum tempo e consumidor de revistas e livros nacionais especializados que começavam a aparecer.
Em música, gostava das canções passadas - Billie Holiday, Louis Armstrong, Cole Porter, Chet Baker, Sinatra, Ray Charles, Elvis e outros -, do rock inglês que assolava a nação, mas tinha queda especial pela nascente bossa-nova, com João Gilberto, Tom, Vinícius, Toquinho, Chico, que amava.
Roberto ou Didu, como queiram, esteve pouco tempo entre nós, um cometa, mas deixou muitas outras lembranças. Viveu! Ficam essas para uma próxima oportunidade.
FRAGRÂNCIA MISTRAL
Por Antônio Augusto Souto ... Em livro acaso deixado em recanto escuso de prateleira, redescubro Gabriela Mistral, fragrância de mulher na poesia que suponho: América do Sal, do Sol e do Sul; Ameriquinha de sonho! Indiozinho que se recosta sobre a Terra, tambor que ainda contesta, em batida firme de ritmo certo que tange longe e tange perto. Sonido de trilhos e de festas. Nobel um dia dela e condores instigantes e perfume de roseiral andino: indiozinho de Gabriela, sonho dourado de menino. O que há é conformismo! Sem essa de destino! Dá-me tua mão, Mistral do mundo, e dançaremos. Dá-me tua mão e te amarei e esvoaçaremos sobre Andes, Aconcágua e Amazônia, sob a imensidão deste céu deslumbrantemente azul. Linda América do Sal, caliente América do Sol, inda inconsútil América do sul!
Por Antônio Augusto Souto ... Penso em noite enluarada, em suavíssimo violão e solo de flauta. Quero taças finíssimas de cristal e brindes moderados. Vou querer, amada, celebrar a tua longa e doce companhia. Penso em estrelas, no firmamento; nuanças de poesia e fragrâncias, no vento. Não direi palavras. Tu também, se assim quiseres, não o farás. Olhar-nos-emos, apenas. As marcas acaso deixadas pelo tempo nos remeterão ao passado que resiste, às coisas grandes da existência, às questões pequenas... Enlaçaremos as mãos e, a um tempo, recomeçaremos, libertados dos sobressaltos e das ocasionais dores. Sem os voos incertos do aprendizado, celebraremos o jardim que plantamos juntos. Quero que sejam tuas, exclusivamente tuas, as nossas flores. ... antonioaugusto@viamoc.com.br
360 DIAS DAS MÃES
Por Luiz Carlos Amorim
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Está chegando o Dia das Mães, um dia para lembrarmos que devemos reverenciar a mulher mais importante da nossa vida todos os dias, qualquer dia, sempre. Precisamos, antes de qualquer coisa, estarmos presentes, dar-lhe carinho, manifestar nosso respeito, nosso reconhecimento e nosso amor. Não apenas nesta data específica, nesta semana, mas sempre. Nada é mais importante do que a companhia, a presença tanto quanto possível, não interessa a idade que os filhos tenham.
Mas é tradição, para nós, filhos, darmos uma lembrança a ela, no seu dia, além de manifestar o sentimento que ela inspira em cada um. Comprar presente, sabemos, é uma questão de consumo, o comércio inventou essas datas comemorativas para vender mais. É que já virou tradição, já nos habituamos a dar um presente às Mães, no seu dia, tão bom quanto possamos dar. É uma outra maneira de dizer que ela é importante para nós, é uma maneira de homenageá-la, de provar que pensamos nela.
Outro dia, dizia eu a uma amiga que minha vida é e sempre foi povoada por mulheres maravilhosas. E ela me disse que eu agradecesse a Deus por isso, o que é mais do que justo. Tive avós fantásticas, até uma avó postiça que ganhei nessas lidas literárias que a vida me proporcionou, professoras, minha esposa, minhas filhas, minha mãe, mulheres maravilhosas que talvez eu nem merecesse.
Minha mãe, claro, é quem esteve mais presente, pois me acompanha a vida inteira. Acho que no dia dela, quem ganha o presente, na verdade, somos nós, os filhos, por tê-las. O que somos, temos que reconhecer, devemos a elas, pois é com elas que passamos o maior tempo de nossas infâncias e adolescências, são elas que nos ensinam o que devemos saber para enfrentar o mundo dos adultos.
Por tudo o que ela representa, deveríamos dar-lhe um grande, enorme presente. Mas se não pudermos comprar nenhum presente – e isso pode acontecer com muitos filhos – que presente então lhe dar, a não ser nosso respeito, todo carinho e amor e uma pequena flor, gigante como ela própria? Sim, uma flor – símbolo incontestável do sentimento maior que ela nos inspira, junto com o abraço forte e o beijo grande, repletos de carinho e emoção.
Mãe – a vida se repartindo, coração se avolumando, amor se multiplicando... Todos os dias são seus, toda a vida lhe pertence; a natureza, perfeita, é sua irmã gêmea. E nós te festejamos, hoje e todos os dias.
MAMÃE, E COM TODAS AS LETRAS
Por Marli Gonçalves
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Até mais alguns muitos dias nossos ouvidos ainda vão aguentar tudo quanto é tipo de apelo para consumir, comprar, presentear, oferecer, dar. Os caras aproveitam essas datas, bem comerciais, para associar mãe a cada tipo de coisa que vamos, venhamos e convenhamos...
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Mamãe: cinco letras que choram. Desde bem menina ouço essa frase e só agora me toquei que ela parafraseava uma música linda dos Anos 50, Adeus, adeus, adeus, composição de Silvino Neto, eternizada nas vozes de Francisco Alves e Orlando Silva. A minha mãe, como boa canceriana, sempre foi muito emotiva, gostava de fazer draminhas que me lembram até hoje os boleros. Falava muito nas tais letras choronas, e num tal padecer que não era em paraíso nenhum. Era normal dela ouvir, naqueles momentos que brigava comigo ou com meu irmão, quase ameaçadora, mas sempre premonitória: "Vocês vão ver. Quando eu não estiver mais aqui é que vocês vão me dar valor, sentir minha falta, lembrar que eu tinha razão".
Ah! Não me diga que você também ouve ou ouviu essa frase? Mãe é mesmo tudo igual. Só muda o endereço. E o que é pior: elas sempre têm razão mesmo. Na grande maioria das coisas.
Pois bem. Minha mãe me disse adeus há nove anos. E todos os dias, por uma coisa ou outra tenho mesmo saudades e me lembro de algumas das suas falas e feitos, que ela era bem danada. Baixinha, gordinha, mineira, minha bichinha era arretada. Não gostava e não levava desaforo para casa, de jeito algum, uma das características mais fortes que puxei dela, além do tamanho e do peso sempre a ser controlado.
Por exemplo, lembrei esses dias o quanto ela odiava essas palhaçadas, como chamava dia das mães, dia dos pais, dia do c... (a língua era afiada também): "Uma falsidade que só serve para deixar as pessoas tristes" "Dia das Mães tem de ser todo dia, porque o que a gente aguenta de malcriação dos filhos!...", resmungava. Pensando no mundo todo, porque a gente com ela sempre pisou bem miudinho.
Na verdade, esse monte de lembranças tem vindo à minha cabeça desde que há mais de um mês começaram as campanhas publicitárias chamando e convencendo o pessoal a gastar. É um tal de mãe linda abraçando bebê fofinho, frases de efeito para vender linguiça e cerveja em supermercados, jingles chatos martelando. Um tal de mãe é isso, mãe só tem uma, avó mãe da mãe. Compre um carro, uma blusinha, uma bolsa, sapato, celular, geladeira. Se for no shopping tal, e gastar gostoso, a partir de, pode até levar brilhantes. Claro, só se for sorteado um daqueles cupons infernais. O barato agora é mostrar as mães sempre jovens, lindas, cabelos ao vento, dentes brancos, sorridentes, ricas, magras, sem sofrimentos de parto, dinheiro para dar e vender, maridos apaixonados.
Coitadas das mães reais. Devem se sentir um lixo vendo aquilo. As mães reais têm mesmo pouco espaço na mídia. A não ser quando se manifestam por seus filhos assassinados ou desaparecidos.
A gente não vê muito aquelas que tiram da própria boca para alimentar os filhos, as mães que são "pais" e paus para toda a obra, as abandonadas, as que quiseram continuar solteiras, aquelas que não têm com quem nem onde deixar os filhos, as desesperadas porque os filhos seguiram direções contrárias, inclusive à lei. Mães que trabalham fora e passam o dia inteiro muito preocupadas ou se culpando por não ter tempo de dar atenção, as mães da dupla, às vezes tripla, jornada de trabalho. As tantas mães prostitutas que vêm para a cidade grande para ganhar algum para mandar, em geral para a mãe que cuida de seus filhos lá bem longe.
Essas imagens não vendem perfumes. Entendo. Mas se o Dia é das Mães também não podem ser esquecidas, nem lembradas só na hora das bolsas-família que as transformam em verdadeiras parideiras de salários. A cada filho ganham um pouco mais - parece aquelas ofertas de Leve 3, pague 1. E toma sustentar o malandro, que comparece só para fazê-la ser mãe mais uma vez.
Enfim, por mais que você seja preparado, terapeutizado e psicanalizado, datas como essa do Dia das Mães que chegam acompanhadas do tremendo massacre das campanhas publicitárias só servem realmente para nos deixar tristes, muito tristes. Não só quem não tem mãe, ou perdeu a mãe. Também entristece a quem gostaria de poder dar à sua própria mãe todas aquelas coisas. Não há musiquinha doce nem brinde de sanduíche que console.
E o que é pior: se você quiser ir almoçar fora no tal domingo, e não tem mãe, melhor arrumar logo uma postiça, para pelo menos arranjar um lugar na fila. Se tem, já vá se preparando, porque nunca haverá comida igual a dela, quentinha, feita com amor, saborosa. E ela vai fazer você saber disso, resmungando, pondo defeito em tudo, inclusive reclamando do preço da conta e fazendo cálculos do que poderia ter comprado com aquele dinheiro.
Isso, claro, se for uma mãe real, não dessas de propaganda. Muito menos dessas propagandas ridículas que estão no ar.
A NOVA VIDA DE DONA NEGA
Por Michelle Martins ... Lágrimas... Não são lágrimas de tristeza, não são lágrimas de sofrer, são lágrimas de carinho, de lembranças. Lembranças de algo que se passou com o tempo e que nunca se apagarão. - Ei vovó, vim fazer comida para a senhora. - Me dá uma florzinha do jardim? Saudades da sua mãozinha sempre acariciando a minha quando estava perto. Mesmo na dor, o bom humor sempre reinava. Saudades do seu tempero, do seu cheiro gostoso, do seu olhar feliz! Nega... nossa neguinha. Mulher forte, lutadora e que construiu uma vida cheia de carinho, amor, dedicação aos 9 filhos, 36 (+1 eu) netos e 16 bisnetos. Essencial na vida de alguns, um anjo na vida de outros. Sempre tentando ajudar quem precisa. Oferecendo espaço nesse enorme coração a quem quer que se aproxime. Hoje está ao lado do amor de sua vida - Vovô Ryl -, outro eterno nas nossas vidas e que, tenho certeza, "mexeu seus pauzinhos" lá no céu e me re-apresentou o grande amor da minha vida, Frederico Santos e Silva, seu neto. Quem diria, não é vovó Nega, nasci para ser sua neta mesmo! Não vou dizer que a senhora nos deixou. Apenas está descansando para nos encontrarmos em um outro mundo que é completamente diferente deste, onde todo o carinho, amor e humildade estão sempre presentes, assim como estiveram em toda a sua jornada. Vá, Dona Maria Alves dos Santos, vá descansar! Pegue a sua "Ferrari" e, antes que encontre o senhor, jogue-a fora, porque sua alma está livre. Livre de enfermidades, livre de qualquer limitação. Dê um enorme abraço em minha avó Alaíde. E que Deus a acompanhe e te dê paz nessa nova jornada repleta de vida!
Por José Ponciano Neto ... No dia 19 de abril os montes-clarenses e espinosenses terão de comemorar, não só o dia do Exército Brasileiro e do índio, mas, a posse da primeira mulher a ocupar um alto cargo na corte do TSE. Trata-se de uma montes-clarense filha de uma família tradicional em Espinosa. Diante deste fato histórico, o Grupo Escolar Francisco Sá de Montes Claros também entra para história. Por quê? A Ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha estudou neste educandário de 1962 a 1965, numa época literalmente conturbada. Era a pré e pós revolução militar. A escola pública era de alto nível. Quando o aluno passava pela “admissão” (tipo um vestibular para ingressar no ginásio), os do Francisco Sá destacavam, como destacamos no Colégio São José. Tínhamos grandiosas professoras, entre elas, a linda Maria Alice, Geraldinha Figueiredo, Zorilda Madureira (brava!), Zildete Viana e outras que me esqueci. Agora, campeã era a nossa educada diretora Terezinha Meira. Sempre que aprontávamos na sala, ela nos orientava com tanta educação que era melhor tomar palmatória na mão. Além da Carmem Lúcia Antunes, tinha as gêmeas Mercês e Maria Edwiges, Laura, Marina, Fatinha, tinha uma colega da família de Armando Chaves que não lembro o nome. Entre os alunos, Ernani Meira (o mais quietinho), Mario Lúcio Araujo (hoje general do Exército e filho de Zé Amaro), Silvio, Francisco, Eduardo Brasil, Nem padinha, Milton, Elton do Correio, Manoel Oliveira, José Alfredo, Jadir (Café Galo) e seu irmão Jader. Os mais atentados eram transferidos para sala de Dona Zorilda Madureira, inclusive eu, que sempre dava trabalho. Saudades do mingau caramelado da cantineira dona Lia, da beleza das nossas colegas que sempre nos faziam sonhar durante a nossa privacidade. A ministra e presidenta do Tribunal Superior Eleitoral - TSE, as professoras, diretoras e todos os alunos citados é um exemplo da escola pública do passado. Quem não formou o terceiro grau, pelo menos não marginalizaram. Parabéns para o Grupo Escolar Francisco Sá e também o Gonçalves Chaves do Marcos Darcy e do sobrinho Ucho, outra escola de exemplo. Pena que não sou jornalista para aprofundar mais na história dessa ministra.
Por Leonardo Álvares da Silva Campos ... Exatamente no casamento de Babi, o padre foi de uma infelicidade gritante, se bem que não sabia que na sua frente estava uma mulher de dupla personalidade, dissimulada, pecadora e que traía por compulsão, para quem importava tão-somente os prazeres carnais. O respeito ao sentimento do próximo não constava de sua cartilha. Mentir era o seu delito mais ameno. O religioso, achando estar concitando o casal a compartilhar a nova vida a dois como unha e carne, fazia um sermão alegando que no mistério do amor o que estragava tudo era a ideia de posse, posto que as flores não precisavam ser apanhadas nos jardins, elas se davam naturalmente, arrematando por condenar o matrimônio indissolúvel. Era o verbo que Babi melhor sabia conjugar: dar. Ela vinha de outra cidade, na qual levara uma vida de devassidão e abominações a tudo quanto fosse honesto e a Deus. Para ela, o Criador não passava de uma fanfarronice. A mulher se deitava com qualquer um, por dinheiro ou não, e não dispensava as drogas. Homens para acompanhá-la em sua vida desregrada e imunda não lhe faltavam, afinal era de uma beleza ímpar. Aquela aberração da espécie humana, verdadeira erva daninha, mas que entendia tudo da arte da sedução, acreditava piamente que a justiça consistia em se dar, no sentido carnal, a todos. Assim dava o seu o corpo até para os pobres, entendendo que assim ficava próxima de um projeto inicial de criação, em que pese o seu ateísmo. Não admitia que fosse acusada pela exclusão social dos menos bafejados pela sorte, pelo menos no concernente a sexo. No fundo, quando ajudamos o pobre, estamos na realidade devolvendo o que lhe pertence por direito e que um dia lhe foi roubado - pensava inteiramente convicta Babi. Quem criou as diferenças foi o próprio homem, ela concluía, assim partindo para a sua atividade sexual frenética sem nenhum drama de consciência. Detentora de um esplendoroso corpo, malhado, sarado, a terrível criatura, no entanto, preferia os ricos, assim nunca faltavam em sua alcova bebidas da melhor qualidade, drogas e um carro para facilitar as idas e vindas em busca de novas fantasias para pôr em prática. Seu íntimo era, assim, um verdadeiro covil para aquele espírito imundo e detestável. Sonhava, por outro lado, em encontrar um dia um marido com quem mantivesse um casamento aberto, cada um contando para o outro detalhes dos seus relacionamentos extraconjugais, e mesmo ambos partilhando com outro homem ou mulher a mesma suíte de motel. Como regra, o ciúme seria abolido, não haveria lugar para a ideia de posse a estragar tudo. Ela chegava mesmo a alimentar a fantasia de, já na lua de mel, entregar-se ao marido e a outro homem, ou ao marido e outra mulher. É que certa vez leu em algum lugar sobre Afrodite, ou Vênus para os romanos, a deusa do amor erótico e da beleza, que foi casada com Héfeso e era amante de vários deuses, mitologicamente sendo considerada a deusa que mais aceitava, compreendia e amava os homens. Passou então a acreditar na existência real de Vênus, tomando-a como fonte de admiração e inspiração. Daí que lhe surgiu a ideia de ter um marido liberal que não lhe limitasse a liberdade. Tinha que conseguir um casamento aberto, era o seu ideal inarredável, sem esquecer-se da inédita lua de mel. Assim ela se rejubilou intimamente quando o padre, exatamente em suas núpcias, condenou o matrimônio indissolúvel e proclamou que era a ideia de posse a estragar o mistério do amor. Ou seja, mesmo sem qualquer intenção, o religioso lançou a infeliz colocação, dando mais asa para a cobra vestida de noiva ali em pleno altar. Todavia, a pecadora e cria do demônio teve de abandonar a sua cidade natal por corrupção de menores - adolescentes de ambos os sexos eram por ela envolvidos, logo aprendendo até mesmo a furtar e a usar drogas, adquiridas com o dinheiro advindo daqueles pequenos furtos - drogas inaladas e mesmo lambidas em corpos suados cheirando a sexo. A mulher não chegou a ser presa, vez que fora informada por uma autoridade, que era um dos seus companheiros de orgias, a desaparecer. As famílias das vítimas optaram então por não formalizar uma queixa, preferindo evitar o escândalo. Na cidade distante para a qual se mudou, todos admirando aquela beleza, mas sem saber de tanta luxúria que carregava em seu íntimo, Babi, instalada há pouco tempo num hotel e pedindo a todos que fosse tratada por Bia, questão de cautela, viu-se certo dia surpreendida por uma chuva forte, refugiando-se por instantes num templo evangélico. No local, coincidência ou não, o pastor, enquanto agitava nervosamente a Bíblia em uma das mãos, vociferava acerca de uma passagem do Apocalipse sobre a destruição da grande meretriz, prostituta de reis da terra e que, com o vinho de sua devassidão, se embriagaram os seus habitantes. Quase gritando, continuou ressaltando que a grande meretriz tinha nas mãos um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícies da sua prostituição. Babi, agora Bia, ria interiormente daquela pregação que achava uma boçalidade, percebendo após que o pastor passou a ler a parte final do texto bíblico, dando à voz todo o ar dos seus pulmões. “ - Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados, e para não participardes dos seus flagelos. Dai-lhe em retribuição como também ela retribuiu, pagai-lhe em dobro segundo suas obras, e, no cálice em que ela misturou bebidas, misturai dobrado para ela. Quando a si mesma se glorificou e viveu em luxúria, dai-lhe em igual medida tormento e pranto, porque diz consigo mesma: Estou sentada como rainha. Viúva não sou. Pranto, nunca hei de ver! Por isso em um só dia sobrevirão os seus flagelos, morte, pranto e fome, e será consumida no fogo, porque poderoso é o Senhor que a julgou. Ora, chorarão e se lamentarão sobre ela os reis da terra, que com ela se prostituíram e viveram em luxúria, quando virem a fumaça do seu incêndio, e, conservando-se de longe pelo medo do seu tormento, dizem: Ai! ai! tu, grande cidade, Babilônia, tu poderosa cidade! pois em uma só hora chegou o teu juízo.” A mulher, que mais parecia uma égua de rodeio e diuturnamente no cio, só parou de achar graça interiormente ao ouvir a palavra Babilônia, já que o seu nome constava das quatro primeiras letras da cidade mencionada na Bíblia: Babi. Já quase não chovia, ela se retirou do templo. Uma vez na rua, balançando com arte a bunda perfeita, com toda a beleza e a delicadeza próprias de sua idade, tudo na mais perfeita consonância com a ideologia ocidental, Babi percebeu quando um homem, bastante simpático e educado, parou o carro ao seu lado e lhe ofereceu uma carona, que aceitou imediatamente. Era um engenheiro, pessoa honesta, temente a Deus e de família tradicional do lugar. Ingênuo, o moço era um bom e respeitado profissional. Um ano depois estava casando-se com Babi, embevecido pela sua formosura, nem chegou a perceber a personalidade malévola de sua futura consorte, que para ele se disfarçava de séria, porém não passava de um imbróglio. No ínterim de sua chegada ao lugar e a data de suas núpcias, Babi, ou Bia, já conseguira seduzir o proprietário do hotel, então transformado em seu amante e quem lhe conseguia drogas, além de não lhe cobrar a hospedagem nem a alimentação, presenteando-a ainda com as melhores roupas. O hoteleiro era um dos padrinhos do casamento, convite que lhe fora feito com antecedência. A mulher também não se esqueceu dos pobres; fornicava, sempre que possível, com um jardineiro assalariado, com um comerciante falido e um cobrador. Tudo no mais absoluto sigilo, sem cair na boca do povo. Se as coisas estavam dando certo para a maquiavélica mulher, por outro lado ela se sentia vazia e fracassada. Era que o futuro marido, ao contrário de ser liberal, nutria-lhe um ciúme doentio. Dizia-lhe mesmo que sexo só após o casamento. Com o tempo certamente ele estará como planejei o meu marido, mormente se ele passar a usar drogas comigo, pois a droga faz o macho baixar a guarda, perder o caráter, aceitar qualquer coisa numa bacanal - entabulava aquela mente satânica. Na cerimônia de casamento, o padre apregoava por conseguinte uma justiça igualitária, com distribuição dos bens entre todos. A mulher estava impecavelmente a rigor para a cerimônia: vestido longo e luvas brancas, véu e grinalda. Sentia um frescor subindo-lhe pelas pernas, pois nada vestia por baixo. Vez ou outra, fitava o hoteleiro seu amante e agora padrinho. Por outro lado, ostentava uma novidade: colocara um piercing no umbigo, que julgava ser o acessório feminino número um para agradar aos homens. O mais novo esposo da cidade não economizara com despesas na festa de recepção no clube com decoração suntuosa, arranjos florais em todos os cantos, se bem que Bia gostava realmente era das trepadeiras, lugar-comum em sua vida desregrada. Políticos, empresários, delegado de polícia, autoridades judiciárias e outros se faziam presentes, enfim toda a alta sociedade era vista na recepção. No clube trabalhava o jardineiro assalariado, que já vinha recebendo a caridade da mulher. A recepção, com certeza, vararia a madrugada. Enquanto a orquestra, famosa e trazida de longe, tocava, o padre, que como outros de destaque social se fazia presente, em determinado momento passou a ler para um dos convidados um trecho da Bíblia, atraindo a atenção de outros, inclusive do marido: “Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço, isso faço.” O religioso prosseguia em sua leitura sob os olhares atentos de quase todos. Foi quando a noiva deu um toque de longe para o hoteleiro acompanhá-la ao banheiro. Com a porta trancada por dentro e ainda com o vestido do casamento, que ergueu até a cintura, ela entregou-se ao amante. Durante o coito ainda divertiam-se olhando o ato no enorme espelho, adaptado para uma peça de mármore de Carrara e que, numa de suas saliências, tinha uma estátua de Amon-Ra, divindade egípcia representada por um homem com cabeça de carneiro, hoje jocosamente apontado como o deus dos chifrudos. Deu-se um orgasmo rápido e simultâneo. Os lascivos ainda escutavam a orquestra tocando do lado de fora enquanto faziam uma rápida limpeza. Voltaram ao salão sem despertar suspeitas. O padre, tomando refrigerante, continuava falando sobre temas bíblicos para alguns, porém novos grupos se formaram, alguns discutindo política, outros aproveitando o tempo tratando de negócios, em meio a bebidas caras, como o vinho Vega Sicilia e champanhe Laurent Perrier, e salgados, enquanto esperavam pelo jantar encomendado da capital. Havia ainda pares animados na pista de dança. A mulher, parecendo insatisfeita, foi até o jardim e, na relva úmida mesmo, foi possuída pelo jardineiro sob a proteção de uma baixa vegetação arbustiva. Ela retornou ao banheiro para nova limpeza, banho de passarinho, inclusive despindo-se para retirar pedaços de relva que ficaram grudados ao vestido. Retocou a maquiagem, passou batom novamente, perfumou-se e voltou para o salão. O marido estava numa das mesas com uns amigos mais íntimos, já levemente embriagado, parecendo não ter pressa na consumação do casamento pela primeira relação sexual. Os convivas prestaram novas reverências à noiva ao lado, mas nenhum deles teve a educação de oferecer-lhe uma cadeira. Babi parecia zangada diante da tranqüilidade daquele que seria teoricamente o seu companheiro para o resto da vida, mas nada deixou transparecer ao retirar-se. Ela se reuniu então a um grupo de mulheres, uma das quais, uma linda loira divorciada do tipo ariano, corpo bem feito que o longo vestido branco, um pouco transparente, desenhava com detalhes, passou a cobri-la de atenções e gentilezas. As duas se entenderam imediatamente. Levando suas taças de champanhe, seguiram até um reservado do clube, com total privacidade para conversas particulares, com enormes sofás, tapetes persas pelo chão e quadros de pintores famosos pelas paredes. Não demorou muito e as duas estavam nuas e entrelaçadas num dos sofás. Tinham pressa em variar as posições. Foi assim que uma bola de ouro do piercing da noiva soltou-se sem ser percebida quando ela levantava o rosto do meio das pernas da loura para buscar o seu rosto. Naquele frenesi sexual, a peça de ouro do piercing já desprovida de sua bola transfixou o clitóris da fêmea representante da raça ariana, lacerando a sua carne. Os gritos de dor vindos do reservado foram escutados no salão, mesmo com o som da orquestra. Foi o próprio delegado, de arma em punho já pensando numa tentativa de assassinato, a arrombar a porta, que não dada passagem a todos os convidados, entre curiosos e temerosos. Cena inusitada. Era inteiramente impossível desatrelar ali a noiva e a loira inteiramente nuas, o umbigo da primeira parecendo costurado ao clitóris da outra pelo fino e delicado fio de ouro do piercing, enquanto o sangue derramava das carnes dilaceradas. Só mesmo no hospital. A ambulância chegou rapidamente. Não chegou a haver separação, o casamento foi anulado mesmo por erro sobre a identidade de outro cônjuge, posto que o homem desposara mulher decaída sem que o soubesse, tomando conhecimento do seu baixo caráter e depravação de costumes somente quando das núpcias, situações antes encobertas. Bia, que abandonou de vez o seu nome de registro, ficou pela cidade mesmo, afinal não era caso de polícia, todos provando de sua luxúria e abominações, tanto os ricos quanto os pobres. Menos o ex-nubente, que continuou em sua vida metódica, mantendo sua honra e boa fama.
COMUNICADO
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