Esse desabafo foi feito no encerramento da procissão de quinta-feira, 11, na Catedral de Montes Claros, por um irônico, às vezes irritado bispo dom José, que acabara de presidir a santíssima eucaristia, neste ano imaculada pela lambança provocada pela prefeitura, através da MCTrans e atendendo a pressões do comércio local.
A permissão de abertura de lojas no feriado nacional fez de Moc talvez a única cidade do Brasil a não ter suas ruas decoradas para a procissão de Corpus Christi, fato inédito na cidade de 152 anos. Tudo, dizem os fiéis, fruto de retaliação ao apoio dado pela igreja católica ao grupo político que disputou as eleições do ano passado com o que se encontra no poder.
O professor de História e Geopolítica e acadêmico do curso de Direito da Funorte Everaldo Ramos escreveu:
“Em Montes Claros neste ano foi diferente. É sabido que a relação do prefeito Tadeu Leite com a igreja católica local vem sendo marcada por insultos e provocações desde o final do ano passado. Quando das eleições municipais, o Conselho diocesano de pastoral soltou nota pública se indignando com a tentativa do então candidato Tadeu de manipular a opinião pública afirmando ter o apoio da igreja.
A partir de então, não têm sido poucas as vezes que o senhor prefeito, no afã revanchista, algo que lhe é muito peculiar, tenta atacar a igreja católica, algo inoportuno e impróprio para alguém que exerce cargo de relevada importância como ele. A última agressão praticada pela administração municipal contra a igreja, e muito mais ainda contra o povo cristão de Montes Claros, foi no tocante ao não cumprimento de legislação nacional que diz ser feriado nacional o dia de Corpus Christi. Em Montes Claros, o comércio funcionou normalmente.
Alguns dirão que era por ocasião da véspera do dia dos namorados, por causa da crise, do frio etc. Quanta hipocrisia! As compras do dia dos namorados poderiam muito bem ser feitas na sexta-feira, dia 12. O fato é que, ao funcionar no feriado, ficou inviável a realização de uma tradição secular: enfeitar as ruas com tapetes ornados de serragem, na mais viva expressão de fé do nosso povo.
O povo cristão de Montes Claros, apesar de ferido no seu íntimo, na sua fé e na sua crença, diante de tamanha falta de respeito aos seus costumes e tradições, reagiu com indignação na Catedral de Nossa Senhora Aparecida, onde foi realizada a celebração litúrgica, já que as ruas em torno da praça não foram interditadas pela administração municipal.
Foi geral o desconforto e desassossego. O mal estar foi tanto que chegou a provocar alguns desmaios, aumentando a revolta contra a administração municipal. È preciso que o senhor saiba que esta cidade não é um feudo que pode funcionar ao seu bel prazer. Aqui tem leis que devem ser respeitadas. Sua condição de chefe do executivo motes-clarense nao lhe dá o direito de agredir milhares de pessoas naquilo que lhes é mais sagrado: a fé em um deus vivo que se materializa na eucaristia.”






























