terça-feira, outubro 20, 2009

INCÊNDIO DESTROÇA FAMÍLIA EM MONTES CLAROS: 3 CRIANÇAS MORTAS E 3 FERIDAS

Jonas Júnior Silva Pereira, Thaís Lorrane Silva Pereira e Joane Dality Silva Pereira foram carbonizados.
Um incêndio em uma casa localizada na Rua Pedro Geraldo Simões, Cidade Cristo Rei, resultou na morte de dois adolescentes de 15 e 13 anos, além de uma criança de três anos, no início da madrugada desta terça-feira, 20. O incêndio deixou mais quatro pessoas da mesma família com o corpo todo queimado, entre elas uma adolescente paraplégica de 15 anos.
Jonas Júnior Silva Pereira, 15 anos; Thaís Lorrane Silva Pereira, 13, e Joane Dality Silva Pereira, 03, morreram carbonizados.
Os demais irmãos - a paraplégica Lorena Silva Pereira, 15, Poliana Stefany Oliveira Martins, 10, e Jones Yuri Oliveira, 06 - sofreram queimaduras pelo corpo e foram levados para hospitais de Montes Claros.
O incêndio originou-se, possivelmente um curto circuito em uma tomada de energia elétrica, na qual eram ligados vários aparelhos eletrônicos, entre eles um computador.
Com os olhos cheios de lágrimas, o pedreiro Francisco Luiz, 49 anos, tio das vítimas, informa que, por volta de 01h30, acordou com muitos gritos vindos da casa vizinha, pertencente a Joanes Martins Pereira, 33 anos. Segundo Francisco, o pai dormia na parte de baixo, enquanto as crianças estavam dormindo no segundo pavimento da casa, quando percebeu o fogaréu:
- Só deu tempo de salvar três crianças.
Ainda de acordo com Francisco, ao perceber a casa em chamas, imediatamente ele e alguns vizinhos subiram na laje e quebraram as janelas, além de fazerem um buraco na parede, para tentar tirar as crianças do meio das labaredas, uma vez que pela escada que dá acesso era impossível passar, devido ao fogo e à fumaça.
- Foi terrível! Quando vi, o fogo já estava saindo pelas janelas. Jogamos muitos baldes de água, mas o fogo era mais forte. Quebramos a parede para tentar tirar as crianças, mas só conseguimos salvar três – diz o pedreiro.
O desempregado Carlos Anderson da Silva, 31 anos, com as duas mãos enfaixadas devido a queimaduras, foi considerado por moradores como um verdadeiro bombeiro, isso porque, de acordo com testemunhas no local, os bombeiros militares demoraram mais de uma hora para chegar ao local. Carlos Anderson afirma que, devido ao fato de morar na periferia, os bombeiros não deram muita importância ao caso.
- Tenho certeza que se fosse em bairro de rico, eles chegariam mais rápido. Se eles tivessem chegado na hora que a gente chamou, eles salvariam todas as crianças. Quando eles chegaram aqui, nós já tínhamos tirado todo mundo lá de dentro – afirma Carlos.

A janela da casa foi quebrada por moradores solidários que tentaram debelar as chamas, porém, três vidas foram interrompidas.

Ele acrescenta que quando viu Joanes pedindo por socorro, não pensou duas vezes e se enrolou em uma coberta molhada com água, jogando-se no meio das labaredas.
- Tenho cinco filhos e não pensei em ajudar. Eu tirei a primeira criança lá de dentro. Para você ter ideia, essa criança foi levada por terceiros para um hospital. Os bombeiros chegaram aqui somente com uma ambulância para socorrer oitos pessoas. Isso prova que eles demoraram a chegar – diz.
A dona de casa Nildete Alves Pereira, 50 anos, é convicta ao apoiar o herói e afirmar que se os bombeiros tivessem chegado com mais rapidez ao local, as mortes teriam sido evitadas.
- Esse rapaz aqui (apontando para Carlos Anderson) foi o verdadeiro bombeiro. Ele foi um herói. Todos nós presenciamos a atitude guerreira dele – afirma.
O assessor de comunicação da unidade do 7º BBM – Batalhão de bombeiros militar, subtenente Célio de Araújo, informa que as informações de atraso da guarnição para o local não procedem, uma vez que o comandante da unidade em Moc, major Marconi Jesuíta da Silva, participou ativamente da ocorrência. Célio afirma que possui todos os registros informatizados no batalhão e que trabalha com dados comprovados e que não existe nenhuma possibilidade de alterar as informações. Os bombeiros teriam chegado em menos de cinco minutos após o chamado.

Carlos Anderson da Silva queimou as mãos ajudando na retirada das crianças no meio do fogo.

O assessor diz que no sistema foi registrado a primeira chamada às 02:07, momento em que uma guarnição saiu do quartel, chegando às 02:11 no local. Ele enfatiza que, debelado o incêndio e socorridas as vítimas, a ocorrência foi encerrada às 03h22.
- Não podemos ficar discutindo com a população quem está certo ou errado. Temos os dados comprovados. Quando uma guarnição chega ao local solicitado, dificilmente encontramos pessoas que solicitam nosso serviço para comprovarmos o tempo gasto – afirma.
Ele ressalta que os bombeiros trabalham de forma imparcial, sem distinção de sexo, cor, raça, credo e classe social, porque o que mais importa para eles é salvar vidas, e que várias ambulâncias foram deslocadas para o local. (Reportagem: Rubens Santana)

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