sábado, dezembro 08, 2007

VOCÊ AINDA PODERÁ MORAR NESTA CASA... NA LUA

Na clássica história dos três porquinhos, há uma casa de palha, uma de madeira e uma de alvenaria. Pois a Nasa pode reinventar o conto, com uma casa inflável. O objetivo não é abrigar bichinhos preguiçosos em fuga do lobo mau, mas proteger seus esforçados astronautas das condições adversas da Lua.
Pois é, o principal desafio de ir à Lua na próxima década, uma vez que humanos já estiveram lá nos anos 1960 e 1970, é aprender a ficar lá. E, embora o grosso da verba da agência espacial americana esteja indo agora para a reinvenção da roda (ou da Apollo, como queiram), os engenheiros da Nasa estão quebrando a cabeça para desenvolver um abrigo que servirá de morada para longas estadias na superfície lunar.
Este foi o resultado dos esforços deles:



Sim, é mesmo uma barraca. Mas não é uma barraca qualquer. É uma superbarraca. Uma superbarraca high-tech que certamente custa milhões de dólares.
Sem sacanagem. Não é fácil criar um abrigo inflável que resista aos desafios da exploração espacial -- sobretudo para uso lunar. Lembre-se: a Lua não tem atmosfera, o que significa que o ar dentro do abrigo fará uma tremenda força para fora (pois não há pressão do ar do lado de fora para compensar). E um mísero furo fará com que a atmosfera vaze para o espaço.
Então, não é um problema tão simples, e durante muito tempo a própria Nasa foi meio desconfiada da confiabilidade de sistemas assim. Mas agora, depois que a empresa privada Bigelow Aerospace, de Las Vegas, provou que um satélite inflável segura as pontas em órbita, mesmo com todo aquele monte de nada ao seu redor, a agência espacial americana resolveu tentar a sorte.
O primeiro teste de sua barraca lunar começará em janeiro do ano que vem. Durante 13 meses, os cientistas vão armar a barraca no ambiente mais agressivo que o dinheiro pode comprar aqui na Terra -- a Antártida. O abrigo será exaustivamente experimentado e, se passar nessa prova, pode ganhar um espaço em futuras missões espaciais.
Se a idéia vai mesmo dar certo ou não, eu não sei. Mas vale muito a pena tentar. Imagine o peso dessa joça. Agora troque-a por um módulo pesadão e rígido, com revestimento metálico. Como mandar coisas para o espaço é muito caro -- e quanto maior o peso, mais caro fica --, um módulo que tenha o máximo espaço pelo mínimo peso é o Santo Graal da exploração.
De todo modo, é legal ver que a agência está levando a sério a missão de promover estadias humanas de longa duração na Lua. É coisa para depois de 2020, mas antes tarde do que nunca, né?

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