quarta-feira, junho 22, 2011

MULHER VIVE HÁ 30 ANOS COM UMA TESOURA NA BARRIGA

A desempregada Sueli de Paula Gica, de 53 anos, diz que vive há quase 30 anos com uma tesoura esquecida na barriga. O objeto, segundo ela, foi deixado no abdômen durante uma cesariana realizada em 1983 no Hospital Santana de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A mulher descobriu a tesoura no corpo em um raio-x feito em 2008 e exige uma indenização. O hospital afirma que, como o caso está na Justiça, não vai se pronunciar.
Apesar de ter descoberto a tesoura há três anos, ela ainda não se submeteu a uma cirurgia para retirar o objeto. “Eu sinto dores que não dá para descrever”, afirma.
Segundo Sueli, os médicos trataram as dores que começaram alguns anos depois da cesariana realizada para o nascimento do último de seus três filhos como cólicas menstruais. “Eu me acostumei com as dores, nunca pediram um raio-x, fui levando e acostumando”, recorda. Ela diz que o problema prejudicou também sua vida profissional. “Quando vinham as dores, eu faltava e perdia o emprego”, lembra.
Em 2008, um detector de metais apitou repetidas vezes quando ela tentava passar. Levada a um hospital, passou por um exame de raio-x que verificou a presença da tesoura. “O radiologista começou a fazer muitas perguntas, achava que era alguma doença. Ele perguntou se eu tinha dores na barriga e falei das cólicas. Depois, o médico me contou. Eu passei mal quando soube”, lembra. Segundo ela, o objeto tem quase 20 centímetros.
Sueli diz que conhecia o médico que realizou a cesariana em 1983, pois já havia trabalhado na casa dele. Houve complicações durante a cirurgia e ela lembra que a equipe médica ficou aflita com a situação. Por isso, afirma não guardar raiva do profissional, que já morreu. “Eu nunca tive raiva dele, ele estava salvando minha vida, apesar desse erro”, acredita. Apesar disso, ela pleiteia um valor como forma de indenização.
Sueli aguarda laudos de uma perícia feita a pedido da Justiça e a definição se será possível fazer a cirurgia de remoção do objeto. “Se eles falarem que eu posso fazer, vou fazer. Segundo alguns médicos, essa cirurgia é de risco e tenho que fazer vários exames. Passei em um médico particular em fevereiro que explicou que eu corro risco, sim”, lembra. “Mas imaginou passar o resto da vida assim?”, questiona.

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